Segue um trecho da peça Somente os Uísques São Felizes, que apresentaremos no Espaço dos Satyros de 5 de setembro a 25 de outubro, aos sábados e domingos 18h30. A bagaça é interpretada por Ulisses Sakurai e Priscilla Maia e conta a seguinte história: um homem precisa juntar 13 bitucas de cigarro para salvar a humanidade do juízo final. Faltando apenas uma, ele se vê preso em um aposento depois que a chave foi comida por um pássaro de pelúcia com prisão de ventre. Eae, que acham?
SOMENTE OS UÍSQUES SÃO FELIZES - direção e texto de Cesar Ribeiro
Eu já te contei como era quando eu era feliz? (grandiloquente) Ah, a felicidade! (um tanto pérfido) Um moleque cai da janela e um jovem morre esmagado. Os helicópteros cruzam as cidades. Ambulâncias em marcha pelo concreto. “Salvem os velhinhos”, grita uma barata se escondendo no esgoto. “Diga não aos proctologistas”, retruca uma formiga insana. “Votem em mim”, clama um senador embalsamado. A confusão se instala e tudo o que você quer é chegar em casa e colocar o pijama. Dormir sem sonhar. Sem acordar durante a madrugada para um xixizinho. O café está te esperando com cara de ressaca. Sua esposa ronca de um lado para outro. “Cadê o seu espaço?”, você pergunta angustiado. Então vai até a sala e liga o aparelho. (com tesão) Que saudades das ninfas de auditório! Elas circulam a bunda para a direita. Circulam para a esquerda. Aquela bunda é sua. Ela te espera. (como um mantra obsessivo) “Vamos, caminhe até a bunda. Alimente a bunda. Deseje a bunda. Tenha a bunda em mente! Caminhe até a bunda. Alimente a bunda. Deseje a bunda. Tenha a bunda em mente! Caminhe até a bunda. Alimente a bunda. Deseje a bunda. Tenha a bunda em mente! Caminhe até a bunda. Alimente a bunda. Deseje a bunda. Tenha a bunda em mente!” (voltando ao tom da narrativa) O mantra é coletivo. Todos se masturbam em seus sofás nas noites de solidão. Jorra o creme nas emissoras, nas revistas, nos teclados... (imitando a voz caquética de um sábio) O indivíduo... somente é único... pelo caráter único... de sua individualidade, (voltando à própria voz) declara um velho profeta do amanhã. Todas as canções tocam ao mesmo tempo. Todos os ruídos são ouvidos. E você finalmente dorme. Um sono tranquilo... sem relâmpagos... sem mistérios... sem perguntas ou respostas. Você apenas dorme.
CRÍTICA DE RUY FILHO NO GUIA DA SEMANA - SESSENTA MINUTOS PARA O FIM
O camarada Ruy Filho, diretor do grupo Antro Exposto (Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade) acaba de soltar no Guia da Semana (link ao lado) a sua crítica sobre a peça Sessenta Minutos Para o Fim. Duca.
Minutos Preciosos
Valorize seu tempo e assista a um bom espetáculo
Por Ruy Filho
Muitas vezes somos condicionados a uma enfadonha rotina. E a permanência excessiva dentro de sua estrutura acaba por nos distanciar ou impedir aquilo que realmente vale a pena. Escrevo isso, pois demorei muito tempo, mais do que realmente gostaria, para assistir à peça Sessenta Minutos para o Fim, do grupo Garagem 21, dirigido por César Ribeiro. E, hoje, percebo o quanto deveria ter me esforçado mais para sentar em sua plateia.
César me chama a atenção desde sempre. Ao menos, desde que comecei a ler suas críticas e seu blog. Há uma intensa sinergia entre nossos devaneios e conclusões. A maturidade violenta com que costumeiramente aborda as questões, traduzia-o como um curioso inquieto devorador de música, cinema, política e teatro. Levado ao desejo antigo de compreender sua arte mais profundamente, chego ao teatro dois minutos atrasado, mas desta vez consegui entrar e permanecer.
Sessenta Minutos para o Fim reúne Arrabal e Beckett fortalecendo a base de uma dramaturgia consistente e provocadora como pouco se vê na atualidade. A história de dois sujeitos sequestrados por um coelho e obrigados a representar para um público inexistente, dá o tom preciso do universo dos dois dramaturgos. César, porém, vai além e codifica as exigências desse absurdo em fugas do naturalismo, por meio da construção de corpos mais próximo à caricatura dos quadrinhos. E funciona. E bem. Recortadas, as "cenas-imagens" são bem definidas, estruturadas de maneira simples a partir do jogo teatral. Cabe aos atores sustentar a precisão perigosa entre o não-naturalismo e o expressionismo. Ainda que a construção de Ulisses Sakurai seja mais eficiente do que a realizada por Paulo Campos, o espetáculo se sustenta tranquilamente na criatividade da história e na inteligência dos monólogos e, sobretudo, com a deliciosa e divertida presença do Coelho em cena, vivido por Priscilla Maia.
O que César Ribeiro oferece ao seu espectador é mais do que uma narrativa maluca exacerbada por referências e signos. Ao contrário. Na exatidão da palavra, na importância da música que ronda toda a atmosfera, o diretor-autor questiona a todos nós como podemos narrar o contemporâneo. Traz, pelo humor do tom nonsense, a empatia do ridículo e recodifica o exagero em forma de teatralidade. Tudo ali é teatro. Tudo ali é visceralmente teatralizado. E, ao fim, parece nos arrastar à culpa de igualmente nos divertirmos com tantos absurdos.
Muitos outros autores e diretores têm se utilizado do confronto com a moral burguesa, travestindo as ações em culpa. César diferencia-se pela perspicácia intelectual que faz com que a culpa seja estraçalhada em centenas de sentimentos, levando-nos a um labirinto perigoso da aceitação desprovida de parâmetros críticos. Assistimos e rimos. Entendemos os absurdos e continuamos a rir. Rimos das nossas próprias gargalhadas. E não notamos a obviedade de sermos nós os sequestrados pelo coelho, de estarmos acostumados à ausência do público e à solidão da ideia.
A plateia de César Ribeiro é específica. É preciso disposição intelectual para ir além da diversão burguesa de se estar no teatro e entender verticalmente o universo discursivo. E isso caracteriza e explicita a vocação de ser o Garagem 21 mais do que outro grupo de teatro. Há uma verdade maior nas intenções de Sessenta Minutos para o Fim: olhar nos nossos olhos e nos cobrar por sermos tão enfadonhos e patéticos. César exala a essência típica dos artistas inquietos e inconformados, dos criadores obsessivos. Isso por si só já deveria causar filas na porta do Satyros 2. E quem consegue imaginar qual deveria ser o tamanho da fila, então, quando se junta a essa figura um espetáculo curioso e arrasador?
Se sair de casa para ser mais inteligente incomoda tanto o público, então que este saia para se divertir com sua própria estupidez. Com um lugar a menos na plateia, aviso. Pois uma cadeira já é minha...
Detesto todo e qualquer reality show. Por diversos motivos, mas o principal é o próprio vazio desses subprogramas que, por falta de história, apelam para a fetichização e a intriga. E não venha com aquela conversinha de análise sociológica no meu riquixá. Mas o pior de tudo é que a propaganda dessa imbelicidade destaca exatamente o que deveria nunca chamar nossa atenção por sua própria imbecilidade. Vejamos as últimas chamadas para a versão rural com subfamosos: "dado mostra parte do bumbum", "luciele bate boca...", "miro briga com...", "mira fica pelado...", "babi diz que estão usando a imagem dela" (porra babi, até você? que desespero a falta de foco não causa na cerebrina das pessoas). É com esses apelos que se quer vender o que são esses programas. Agora a pergunta: quem são os idiotas que se interessam por esse tipo de imbecilidade? Quem são os imbecis que compram essa promessa de sexualidade estampada nesses programas, babando no sofá à espera de que uma bunda apareça, uma gostosinha mostre os peitos e tal? Vive-se através dos outros, vive-se na aquisição de produtos, vive-se na expectiva de ser o macho alfa, ainda que isso venha de mulheres. É uma puta falta de existência!
Depois de muito pensar na moralização do país, na ordem e no progresso e na moral e bons costumes, a Liga dos Anciões que Legislam em Causa Própria decidiu que os atos secretos não podem ser anulados "porque eles produziram efeitos, produziram pagamentos e as pessoas receberam de boa fé e têm direito sobre isso", afirmou o senador Sapão, primeiro secretário da mesa diretora da Casa da Mamata Permanente. Ora, não é exatamente esse o problema, que eles produziram esses efeitos? E quem são esses beneficiados que agiram de "boa fé"? Exatamente os próprios e os amigos dos próprios e os parentes dos próprios. Os caras ainda tiveram a cara de pau de afirmar no relatório que esses atos podem não ter sido publicados "por simples falha humana". Engraçado as falhas serem tão direcionadas: foram descobertos até agora 663 atos secretos de 1995 até aqui, usados em sua maioria para nomear parentes e aumentar salários. Curiosa essa falha sobre o mesmo tema. Mas um desses atos foi anulado: ele concedia auxílio médico vitalício aos diretores gerais da Casa da Mamata Permanente. Detalhe que o beneficiado era o próprio Agaciel Maia. E o Dom Bigodone não sabe de nada. Coitadinho, tão ignorante. Avante, Brasil, o país do futuro!
É tragicômico ver como está sendo tratado o simples e banal fato de Joel Santana estar concedendo entrevistas em inglês. É um inglês com erros sim, uma pronúncia estranha e tal... Mas e daí? A ridicularização das pessoas em relação a ele só mostra o quanto somos ridículos ao debochar de suas falhas, justo nós, supremos seres que sabemos tudo do mundo e mesmo do nosso próprio idioma. Basta olhar para os jornais, para as notícias na internet, para vermos o quanto sabemos pouco de nossa própria língua. Quantos sabem sobre a nova reforma ortográfica? Quantos já a dominam? Quantos sabem que o correto é “ter de” em vez de “ter que”? Quantos sabem que “invés de” normalmente é utilizado equivocadamente? A arrogância é generalizada, como se fosse uma obrigação o cara falar inglês de engravatados, como Joel muito bem respondeu às críticas (sim, com crase, você sabia?). O engraçado é que quando chega qualquer semiastropop estadunidense aqui e fala um macarrônico Éu adhóra a Brassiu, o público vai à loucura. Esquecemos o principal: o cara saiu do próprio país e foi para um lugar desconhecido, em que não domina o idioma, para trabalhar — e não para um passeiozinho. No tempo em que está lá, vem aprendendo inglês, vem se virando. Quantos teriam culhão para isso? Isso sem querer mencionar que parece ser uma obrigação neste mundo americanizado saber inglês. Quantos sabem algo de filosofia, de sociologia, de política, que são coisas muito mais relevantes? Enfim, quantos sabem algo de algo? Somos meros ignorantes preguiçosos a debochar da ignorância alheia.
Meus companheiros de prozac, ando atualizando pouco esta bagaça porque não quero que isto vire um muro de lamentações. O fato é que não consigo dissociar minha felicidade em relação a eventos pessoais dos absurdos que nos cercam dia após dia. O mundo só anda ladeira abaixo. É uma chuva de leis bizonhas que buscam uma moralização conservadora no pior sentido. Fora isso, que dizer sobre o que acontece no Irã, que falar sobre a caralhada de atos secretos da Casa da Mamata Permanente? E tome futebol, e tome Copa do Mundo, e tome Olimpíada, afinal o Rio de Janeiro continua lindo. E tome reality show - aliás, que porra de porra é essa tal da fazenda? Parece que o ser humano é um poço de intrigas e rabugices, sempre pronto a enfiar a pimenta na gororoba do outro para livrar o próprio prato da lavagem. De resto, saindo dessa baciada de chope com groselha, que puta iniciativa a Festa do Teatro. É torcer para que role todo ano. Fui.
SESSENTA MINUTOS PARA O FIM, DIGRÁTIS, NOS DIAS 20 E 21
Paulo Campos e Priscilla Maia (ao fundo) em foto de Nelson Kao
A bagaça é uma realização dos Parlapatões, da Chaim Eventos e da J.Leiva com patrocínio da CCR. Chama Festa do Teatro. Serão 30 mil ingressos de uma caralhada de peças distribuídos gratuitamente para a população. E Sessenta Minutos Para o Fim está na parada. Então se você quiser garantir a grana da cevada e assistir à peça free, corre nos pontos de distribuição. Para a apresentação de sábado (20), às 18h30, os ingressos serão distribuídos no foyer do Centro Cultural São Paulo na quinta (18) das 16h às 20h. Já para a apresentação de domingo (21), às 18h30, a distribuição rola no Teatro Municipal também na quinta, mas das 11h às 15h. Só lembrando que serão entregues apenas 2 ingressos por pessoa e que NOS DIAS 20 E 21 NÃO HAVERÁ INGRESSOS NA BILHETERIA DO TEATRO, então quem quiser assistir nesses dias tem de puxar a bagaça nesses pontos de distribuição. Para mais info sobre o evento, acesse www.festadoteatro.com.br. Bora lá?
A MORTE DO KUNG FU, O RETORNO DA MÚMIA E AS VARIADAS BESTAS ORGANIZADAS
São três notícias: a primeira é que morreu nesta madrugada o grande ator David Carradine, da série Kung Fu e que andava no ostracismo até Tarantino, em mais uma das suas recuperações de big stars em queda, lançá-lo em Kill Bill. A outra é que acaba de sair uma notícia sobre a possibilidade de Itamar Franco (kumékié?) ser o vice de Serra na disputa pela presidência. E para provar que os imbecis dominam o mundo há muito tempo, o que falar sobre os idiotas dos torcedores das organizadas, que mataram mais um no jogo Corinthians x Vasco. Pois é, "morro por ti Corinthians...". Não é não, Rede Globo? Bando de idiotas. E o MP de São Paulo promete acabar com a ideia de duas torcidas em jogos entre clubes grandes. É isso aí. Os bacanas se mandam e só sobra a corja, ao que parece. Agora uma observação: repare o detalhe da foto, de uma época em que ainda podíamos fumar, beber, trepar e o caralho a dezenove.
Ulisses Sakurai e Paulo Campos em foto de Nelson Kao
Sessenta Minutos Para o Fim está entre as peças preferidas da revista Bravo do mês de junho. Isso graças à jornalista Gabriela Mellão, que assistiu à peça na estreia. Ainda não estou com a revista em mãos, mas quando tiver coloco a parada aqui. Duca!
Essa é da camarada Dani Porto (blog ao lado). Estreia do curta Zigurate, em que a figura fez assistência de direção de arte. No Espaço Unibanco. Bora lá?
Saiu hoje a crítica da sarcástica e bacanérrima Revista Bacante para a peça Sessenta Minutos Para o Fim, que está em cartaz aos sábados e domingos, às 18h30, no Espaço dos Satyros 2. O texto é da Juliene Codognotto, que escreveu no ano passado sobre Diálogo Inútil do Abismo com a Queda. Eae, que acham da bagaça?
Se, ao ver o título da crítica, você achou que eu escreveria sobre a sua história… calma. É meio deprê, mas não é, necessariamente, caso de recorrer ao Prozac. Na verdade, se você pensou isso, deveria sentir-se feliz e plenamente integrado, pois isso te faz um ser humano adaptado à essência do mundo contemporâneo.
Muito bem… vamos começar…
Era uma vez uma vida sem sentido. Era uma vez a dificuldade de encontrar sentidos para o fazer artístico - imitar a vida? Criticar a vida? Celebrar a vida? Suicídio coletivo? Teatro pseudo-pós-dramático?
Chega-se, então, a um momento de vazio - se o protagonismo já não serve, o autoritarismo está demodê, o reencontro entre pai e filha é piegas demais pro nosso gosto, o noticiário só repete pareceres sobre os espirros dos porcos e do fim da humanidade vencida pela gripe, e os ursos de pelúcia gigantes vão dominar o mundo, do que nos resta falar?
Eis que, num daqueles segundos de silêncio em que passa um anjo, uma luz parece apontar uma saída do túnel e, observados e comandados por um coelho verde tão gigante quanto os ursos de pelúcia já citados aqui, dois personagens de Sessenta minutos para o fim, emprestados de Fim de Partida, empreendem uma longa e emocionante caminhada de quatro difíceis passos em direção ao limite entre palco e público.
Tensão.
E ali, no limite entre manter o público sem função ou fazer dele parte da encenação e proporcionar – além da contemplação – uma vivência de algum modo transformadora, eles param… é cansativo… e decidem retornar aos velhos papéis e às velhas posições no centro do palco – um pouco mais pra direita, um pouco mais para trás…
Depois de abandonar a chance de levar em conta talvez o único elemento que pudesse devolver o sentido daquela encenação, não faz sentido o “truque” do distanciamento cênico, nem, menos ainda, a tentativa de conduzir nossa imaginação, por meio da fala de um personagem, a um futuro triste, em que o teatro está vazio, em que não há mais público. (atenção para períodos longos, com mtas vírgulas… colocaria um ponto final pra dar fôlego) Afinal, não parece incoerente projetar e lamentar a falta que faz a vida e a abundância de possibilidades de uma platéia que você está deliberadamente ignorando e subaproveitando hoje?
Talvez, ao se perguntar “do que falar?”, seja o caso de se perguntar “como?” e “para quem?”.
Talvez, ao se perguntar isso, o grupo do butequeiro César Ribeiro, tenha resolvido falar justamente sobre essas questões relativas ao fazer artístico que permeiam essa crítica. Isso, a princípio, já é um desafio difícil, certamente.
Mas, talvez, escolher essa forma de encenação para abordar o tema tenha sido uma opção pouco ou nada propositiva, a opção de um observador descrente, que age aprofundando uma crise já evidente (o que é deveras fundamental), mas sem colocar-se responsabilidade sobre a questão, sem apontar, em sua própria atitude, outros trajetos possíveis nesta longa caminhada em busca de um contato verdadeiro ou de um pouco de vida.
Mata-se o foco e a felicidade no texto, mas, na encenação, a quarta parede (tão difamada, a pobre) e o protagonismo (ainda que fora do palco) permanecem intactos.
Tá a fim de ver a peça Sessenta Minutos Para o Fim sem pagar um puto e com direito a levar um papagaio de pirata? A revista Bravo fez uma parceria com a gente que distribuirá pares de ingressos aos autores das melhores respostas para a pergunta "O Teatro do Absurdo e o Teatro Pânico buscam a quebra dos paradigmas do teatro ocidental. O que você acha desse tipo de linguagem?" Para participar, entre no site da revista Bravo.
Começam a sair os primeiros retornos midiáticos sobre a peça Sessenta Minutos Para o Fim, que estamos apresentando no Espaço dos Satyros 2 aos sábados e domingos 18h30. Já tivemos vários retornos bacanas pessoalmente e por email e sabemos que coisas boas vão pipocar na imprensa nos próximos dias. Além disso, o UOL vem dando um destaque duca pra peça. Desta vez, o texto vem de um camarada nosso, o Guilherme Solari (blog ao lado). Publicou a gasosa no Depressão Pós-Cafeína (ótimo nome, por sinal). Segue a bagaça (na foto de Nelson Kao, Ulisses Sakurai e Paulo Campos em cena da peça):
Recentemente fui conferir a apresentação de Sessenta minutos para o fim, organizada pelo grupo Garagem 21 e em cartaz no Espaço Satyros. A peça de direção de Cesar Ribeiro e com Ulisses Sakurai, Paulo Campos e Priscilla Maia no elenco conta a história, ou a não-história, de dois atores que são forçados por um coelho gigante a apresentar uma peça para uma platéia que nunca aparece. E se isso parece uma doidera, é porque é uma mesmo.
Sessenta minutos para o fim tem forte inspiração nos textos de Samuel Becket, notavelmente Esperando Godot, e possui diversos temas em comum com o autor como decadência, relação ambígua entre opressor e oprimido e a inutilidade da vida. Sou amigo pessoal do diretor e de um dos atores, nada mais justo que o leitor saiba disso, mas acho que ela tem muito a oferecer para quem quer fugir da linguagem fácil do chamado “teatrão” ou que veja uma obra de arte que complica a cabeça o espectador ao invés de propor respostas prontas.
A atuação de Sakurai e Campos é bem construída, seguindo uma proposta não naturalista. Os movimentos são robóticos ou grandiloquentes e a maquiagem carregada enfatiza a decadência dos personagens e os dá um ar tragicômico. Com ênfase no cômico. O personagem de Sakurai é um velho ator cego que vive envolto em memórias de suas glórias passadas, enquanto oprime ao mesmo tempo que depende de seu auxiliar, interpretado por Campos.
A dramaturgia mistura referência bíblicas a temas sexuais e abusa de absurdos e non sequiturs, dando a impressão de que as personagens nem sempre falam para comunicar o que sentem, mas para esconder seus sentimentos reais. A trilha sonora é de tecno modernoso que eu confesso desconhecer, mas que cabe muito bem, particularmente em momentos de tensão. Não encontrei tanto a referência de linguagem de HQ à qual o panfleto da peça se refere, no entanto. A peça tem um clima cômico, mas ao mesmo tempo claustrofóbico. A sensação de que os personagens estão perdidos, sem nunca compreender as suas condições;
Mas a peça não é para todos. Assim como Beckett que a inspirou, a apresentação não apresenta respostas prontas, mas levanta perguntas. Como disse antes, é o tipo de peça para quem gosta de ponderar um enigma e não quem deseja respostas prontas ou uma interpretação que amarre tudo com um lacinho colorido.
Sessenta minutos para o fim está em cartaz aos sábados e domingos às 18h30 até o dia 26 de junho e faz parte da série Naftalinas na Garganta, com outras peças do grupo. Ingresso a 20 reais, 10 para estudantes.
Fui anteontem com o Paulo Campos ver o Monólogo da Velha Apresentadora, peça do Mirisola interpretada pelo Guzik com help do Chico Ribas. Muito bacana. Mas este post não é sobre isso — na próxima semana vou escrever um textinho exclusivamente sobre a peça. A bagaça é que o Guzik escreveu no blog dele (link ao lado) uma mensagem de divulgação sobre o Sessenta Minutos Para o Fim. Okey, okey, eu pedi pra ele dar um help na divulgas, mas o bacana é que ele fala um pouco sobre nossa longa relação teatral. Para quem não sabe, Guzik é a única pessoa da mídia (tá bom, ex-mídia) que acompanha o que faço desde o começo, desde minha primeira direção, lá pelos idos de mil novecentos e bzssfghquatro, como diz a Velha. Segue o texto.
Do incansável Cesar Ribeiro (texto de Alberto Guzik)
Eu acompanho a carreira de Cesar Ribeiro desde que ele era um moleque magrinho que tinha um cabelo de roqueiro, lindo, escorrido, que chegava até o meio das costas. Cursava o Indac e quase me arrastou pra ver um espetáculo dele, lá. Uma montagem claustrofóbica, asfixiante, muito boa. De lá pra cá o talentoso garoto ganhou peso, cortou os cabelos, e não parou mais de fazer teatro. Tem tido uma longa parceria com os Satyros, onde sua companhia, a Garagem 21, vem se apresentando regularmente. Agora eles trazem "Sessenta Minutos para o Fim", texto que mistura os universos de Arrabal, de Samuel Beckett e do próprio Cesar Ribeiro. A montagem está no Satyros 2, aos sábados e domingos, 18h30. Ainda não vi porque estamos ensaiando "Liz". Mas semana que vem vou lá assistir ao trabalho do meu amigo, que luta por um teatro de idéias e de provocações. E que tem um blog dos mais interessantes, linkado aí ao lado. Do blog do Cesar é que eu pinçei essa foto linda, que Nelson Kao tirou da montagem de "Sessenta Minutos", que faz parte de um projeto de nome genial: Naftalinas na Garganta. Vejam!
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E hoje e amanhã rola a bagaça:
SESSENTA MINUTOS PARA O FIM (segunda parte do projeto Naftalinas na Garganta)
Inspirada na obra de Fernando Arrabal e Samuel Beckett, a peça utiliza a linguagem dos quadrinhos para contar a história de dois atores condenados por um coelho a realizar uma apresentação teatral para um público que nunca aparece.
Direção, texto, trilha sonora e iluminação: Cesar Ribeiro
Com: Ulisses Sakurai, Paulo Campos e Priscilla Maia
Design gráfico: Diego Bianchi
Fotos: Nelson Kao
Gênero: comédia
Dur: 60 min 12 anos 60 lugares R$ 20 (R$ 10 para estudantes, classe teatral e aposentados)
Essa banda é fodástica. Uma reunião dos brazucas Fabrizio Moretti (do ótimo Strokes) e Rodrigo Amarante (Los Hermanos) com a norte-americana Binki Shapiro. A bagaça foi formada em 2007. No vídeo a ótima With Strangers. O único vídeo que vi com a versão original fica com a imagem congelada nessa foto. Então se quiser movimento vai passar o carna em Salvador. Beleza?