Boteco do Ribeiro - tequilas culturais & outras azambujas


FOTOS INCRÍVEIS DO APAGÃO



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h54
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TRAMPOPACARAIO

Entonces é o seguinte, meu povo e minha póva: na segunda-feira 2 de novembro, às 15 horas, estaremos na tenda do Dramamix (dentro das Satyrianas) com a peça Comunismo, de Eduardo Sterzi. Eu dirijo a bagaça e no elenco estão Fabio Penna e Tales Penteado. Mas antes disso, no domingo 1 de novembro, às 21 horas, também estaremos na tenda do Dramamix. Desta vez com o texto Os Cachorros da Praça Roosevelt Só Podem Estar Surdos, do Germano Pereira. No elenco estão Paulo Campos e Ulisses Sakurai. A primeira será uma encenação mesmo, mas esta última deve ser uma leitura dramática. E no dia 4 de novembro estreia a peça A Lua É Minha, texto do Mário Bortolotto com direção do Eduardo Frin. No elenco estão Ruy Andrade, Fernanda Fazzi e Luisa Valente. Eu faço a luz da bagaça. Já neste fim de semana, 24 e 25 de outubro, às 18h30, ocorrem as duas últimas apresentações de Somente os Uísques São Felizes, no Satyros 2. E no dia 3 de novembro começamos os ensaios para nosso próximo projeto, Ratos Jogam Xadrez na Escuridão, que ficará em cartaz às quintas-feiras 22h de março a maio, também no Satyros 2. Quer dizer, trampopacaraio. A foto é da Lenise Pinheiro para os Uísques.


Escrito por Cesar Ribeiro às 16h45
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LENISE PINHEIRO

Sempre detestei teatro. Era daqueles que, obrigados pela escola a ver as peças, só conseguiam pensar "quem esses marmanjos pensam que enganam?" Achava tudo uma imensa merda. Quer dizer, ver teatro infantil me vez fugir do teatro como vampiro foge da cruz, do alho e da beterraba azul. O tempo foi passando e, já adolescente e pós-adolescente, andava com um pessoal punk. Punks classe média, apolitizados... nada de movimento anárquico. Até chegar uma hora em que enchi o saco. Minha irmã, Kátia, fazia teatro amador no Club Homs e sempre falava que o pessoal era bacana. Fora isso, sabia que havia muitas menininhas e que as menininhas eram, digamos, liberais. Claro que entrei para o grupo. E gostei da brincadeira, tanto que depois fui fazer escola profissionalizante de interpretação, no Indac. No meu teste para entrar no Indac chamei uma camarada da zueira para fazer cena comigo. Tirésias e algum outro personagem que não lembro (era preciso fazer uma cena de teatro clássico e uma de teatro moderno). Meu figurino era coturno militar, camisa branca pichada com nomes de bandas punk e calça jeans rasgada. O traje básico do "movimento". Acabei passando no teste. Essa época em que comecei a fazer teatro foi a mesma época em que comecei a ver teatro. E aí a coisa mudou de figura, porque tive a puta sorte de os caras estarem fazendo coisas fodas na época. Assisti em curto espaço de tempo Dionysus, do Tadashi Suzuki, Trilogia Antiga, do Andrei Serban, Suz O Suz, do Fura Dels Baus, Paraíso Zona Norte, do Antunes Filho, e The Flash and the Crash Days, do Gerald Thomas. Também vi em vídeo muitas obras do Kantor e da Pina Bausch. Tudo era duca. Mas uma coisa chamava muito a atenção: as fotos dos espetáculos do Gerald — acho o trabalho de direção de ator do Antunes uma violência de boa, e a estética de Gerald é fudidaça. Tudo que via de imagem dele me fazia querer assistir às peças anteriores, peças que não vi porque não ia ao teatro. Claro que nisso tudo há a enorme capacidade do Gerald Thomas de construir ambientes, de elaborar imagens, mas nada disso teria sentido se não houvesse um canal que fizesse as pessoas irem até o teatro para ver as peças dele. Esse canal, para mim, eram as imagens fotográficas das peças, que eram impressionantes. E essas fotos eram criações da Lenise Pinheiro, considerada a principal fotógrafa de teatro do Brasil. Para nossa surpresa, depois de ter ido à estreia de Somente os Uísques São Felizes e não ter assistido à peça por conta de um atraso nosso de 30 minutos por causa de problemas técnicos, ela apareceu lá novamente, no fim de semana passado, e fez fotos da nossa peça. Sei que me senti como uma criança que ganha a primeira bicicleta quando vi a Lenise chegando ao teatro no meio da montagem da luz da peça, minutos antes do começo da apresentação. Poucas pessoas conhecem o que a gente faz, e ter imagens como as de Nelson Kao e de Lenise Pinheiro como cartão de visitas é um enorme privilégio. Seguem as fotos da Lenise, que foram publicadas no Cacilda (link ao lado), blog do Uol que ela divide com o Nelson de Sá. Para os que não me conhecem, o barbudo sou eu.



Escrito por Cesar Ribeiro às 16h31
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ALGUMAS COISAS



 

Ando bem distante daqui. Falta do que dizer, de tempo, de paciência etc. Mas hoje vou dar uma breve atualizada no que anda acontecendo. Algumas coisas bem bacanas.

A temporada de Somente os Uísques São Felizes, no Satyros 2 aos sábados e domingos 18h30, está indo para a penúltima semana. Não voltaremos com a peça neste ano. Após oito meses de temporada, mais os meses de ensaio, é preciso uma folga para recarregar as baterias. Então novas temporadas só no próximo ano. Mas muito bacana todo o espaço dado pra gente lá no Satyros, com várias pessoas passando por lá para ver a gente: Cléo de Páris, Rodolfo García Vázquez, Alberto Guzik, Gabriela Mellão, Dirceu Alves Jr., Laerte Késsimos, Claudia Vasconcellos, Fabio Penna, Germano Pereira, Lenise Pinheiro, Ruy Filho, Ariel Moshe, Maurício Alcântara, Juliene Codognotto, Lucianno Maza, Priscila Nicolielo, Geraldinho, Marici Salomão, Guilherme Gorski, Diego Torraca, Alcides Nogueira e inúmeros outros. Isso fora os amigos que sempre acompanham o que fazemos. E fora que muitos viraram amigos após essa temporada.

A convite do camarada Ruy Andrade, em novembro estreio como iluminador em um projeto que não é meu. A peça é A Lua É Minha, texto do Mario Bortolotto com direção do Eduardo Frin. No começo desta semana assisti pela primeira vez ao trabalho do pessoal. Vai ficar bem bacana.

Já para as Satyrianas, fui convidado pelo Fabio Penna para dirigir um texto do Eduardo Sterzi chamado Comunismo. O elenco, além do Penna, conta com Tales Penteado, da peça Rosa de Vidro. Ainda não sei a data da apresentação. Quando souber, dou uma avisada.

Agora sobre o grupo: após um ano em que as peças tinham entre 2 e 3 atores, o grupo Garagem 21 deu uma inflada. Isso porque no próximo ano estrearemos a peça Ratos Jogam Xadrez na Escuridão, que ficará em cartaz às quintas-feiras 22h, no Satyros, em março, abril e maio. O grupo agora é formado pelos atores Ulisses Sakurai, Paulo Campos, Sergio Silva Coelho, Priscilla Maia, Rosangela Guidini, Nelson Fioque, Bira Honoratto, André Auke, Ruth Souza e Keli (ainda não sei o sobrenome). Outros ainda devem entrar, e talvez uma ótima surpresa. Fora isso, contamos com o designer Diego Bianchi, o fotógrafo Nelson Kao, a produtora Tatiana Russo e os colaboradores Kenn Yokoi e Bruno Gambarotto. Quer dizer, o negócio cresceu. Ou, como disse o André no primeiro encontro do grupo, para leitura do texto: "Não sabia que era uma peça shakespeariana". Pois é. Pois é. Mas o barato é esse mesmo, porque existe a forte ideia de em 2011 montar Nelson Rodrigues e Macbeth.


Escrito por Cesar Ribeiro às 15h45
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ESPANCANDO O PORQUINHO



 

Com a estreia de Somente os Uísques São Felizes, última peça desta temporada de oito meses no Satyros, começou a finalmente sobrar tempo para fazer outras coisas que não fosse ensaiar. Aproveitei a semana para ver vários espetáculos. Doce Outono na terça, Aguardo Notícias da Polônia na quarta e Parasita na sexta. Hoje será a vez de O Tempo que Ficou (Incompleto). Todas as peças são muito bem dirigidas e interpretadas, o que não significa que sejam bacanas porque o que comanda é o gosto pessoal.

Muitas vezes falei sobre o quanto não gosto da linguagem realista. Acho que a TV, o cinema e a rua já cumprem essa função de mostrar a “realidade” semelhante ao real. Doce Outono é uma peça realista. Três cenas curtas interpretadas cada uma por uma dupla de atores. O que mais rola de bacana na peça são os silêncios e a ótima interpretação de Fernando Soffiatti, na cena que eu achei a melhor das três: dois irmãos separados pela vida se reúnem num momento em que o pai está morrendo. Os textos são muito bons, agora uma opinião: a peça deveria acabar sem a locução. Além de tudo já estar entendido, a mudança para a crítica à mídia, da forma como foi feita, já está bem batida.

Aguardo Notícias da Polônia, do camarada João Fábio Cabral com a camarada Julia Bobrow, tem uma temática interessante: uma mulher chega do interior à cidade grande com o sonho de ser cantora, mas vai se perdendo na multidão urbana e começa a se fixar em filmes de guerra, o que a leva a se apaixonar por um soldado polonês. Um mote bacana. Confusão realidade e sonho. E a peça nada tem de realista. Agora, novamente para reforçar: questão de gosto. A proposta de direção é muito bem executada pelos atores, mas infantiliza a interpretação. Com estrutura fragmentária, o texto deu margens a atuações em que toda a estética é formulada como ilustração. Quebra um quadro, ilustração. Quebra outro, ilustração. Fora isso, há exagero de sentimentalismo associado com a objetividade na hora de “passar a mensagem”. Mensagem, sempre a mensagem.

Parasita, texto da Gabriela Mellão com direção do Lucianno Mazza, já começou bem. Encontro com os camaradas Rodolfo, Ivam Cabral, Cléo de Páris, Geraldo Mário e Nelson Kao. E ainda conheci a Gabriela Mellão e o Lucianno Maza. A peça tem tudo a ver com o estilo de teatro de que gosto. Interpretações centradas na caricatura bem executada, texto que dá margem ao público complementar a história, direção precisa. Só não entendi a opção pela trilha sonora meio jazzística, acho que a montagem pede algo mais ágil. Os dois atores estão muito bem em cena, com um trabalho fueda de partitura vocal. E o ambiente todo branco, hospitalar, em um jogo de domínio muito bem fechado. Aparentemente a relação é médico/paciente, o que vai se quebrando até mostrar que toda a estrutura não passa de um sonho de um homem à espera da morte, que fantasia relações de afeto, a juventude e outros quitutes. Quer dizer, essa é minha leitura da peça.

Agora, o que amarra todas essas peças? A solidão. Todas elas, com linguagens e propostas diferentes, discorrem sobre esse tema. A fragmentação urbana levando os indivíduos à solidão, ao sentimento de nulidade, à tentativa de afeto, ainda que momentâneo. As ideologias de certa forma morreram, as pessoas se tornam mais individualistas e imediatistas, acabaram as esperanças de coletividade. Então sobre o que falar? Sobre o eu que se perde em toda essa onda de busca de felicidade individual. Sobre o eu que se depara com o outro. Também falo muito sobre isso em minhas peças, mas fica a pergunta: será que é só sobre isso que nosso tempo pode falar?

Também acho, cada peça a seu grau, que é preciso tomar cuidado com a seriedade, com a moralização dos textos. Transmitir mensagens é algo muito difícil, normalmente acaba caindo em frases feitas ou tentativas de criação de frases de impacto. Aguardo cai muito nisso. Já Doce Outono e Parasita esbarram pouco, mas ainda há coisas do tipo “Minha solidão é estar ao seu lado”. Não que essa frase exista em alguma delas, mas há coisas desse tipo.

De modo geral, é muito bom estar saindo da toca e ver o que andam fazendo por aí. Na faculdade de cinema um dos professores falava que assistir às coisas é como acumular capital: pega a ideia e enfia no bolso, como um cofre. Acho que é isso aí. Quando a hora chega, é só espancar o porquinho.


Escrito por Cesar Ribeiro às 18h25
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ARTE DE FURTAR - livro de 1652 - autoria incerta*



 

"Há certo que se gasta neste Reyno todos os annos das rendas Reaes quasi hum milhão, ou o que se acha na verdade, em salarios de officiais, e ministros, que assistem ao governo da justiça, e menêo das couzas pertencentes à Coroa: e he mais que certo, que um a ametade dos tais Ministros, e pode bem ser que com a terça parte delles, se daria melhor expediente a tudo; porque nem sempre muitos alentão mais a empreza, e se ella se póde effeituar com poucos, a multidão só serve de enleyo. Se basta hum Provedor em cada Provincia, para que são cinco ou seis? Se basta hum Corregedor para vinte léguas de destrito, para que são tantos, quantos vemos? Tantos escrivaens, meirinhos, e alcaides, em cada Cidade, em cada Villa, e aldea, de que servem; se basta hum para escrevinhar, e meirinhar este mundo, e mais o outro? Este alvitre se deu ao Rey de Castella não ha muitos annos, e não pegou; póde bem ser, que por ser bom para nós. Se esmarmos bem as rendas Reaes das Provincias, e as discutirmos, acharemos que lá ficão todas pelas unhas destes galfarros despendidas em salarios, e pitanças. Entremos nas sete Casas desta Corte, mas que seja na Alfandega, e Casa da India, acharemos tantos officiais, e ministros, que não há quem se possa revolver com elles: e todos bem ordenados: e todos são tão necessarios, que menos póde ser fizessem melhor tudo. [...] Engordão particulares com salarios, e emmagrecem as rendas Reaes no commum, e não há porisso melhores expedientes: muita couza fantastica se sustenta mais por uso, que por urgencia."

*texto retirado do livro Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, em que há a citação deste trecho do livro Arte de Furtar, publicado pela primeira vez em 1652 e de autoria ainda em discussão



Escrito por Cesar Ribeiro às 18h04
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LEONARDO BOFF - MARINA SILVA: UM NOVO OLHAR SOBRE O BRASIL



 

Primeiramente um aviso: ainda não sei em quem vou votar, então o texto abaixo, enviado por email por Leonardo Boff, não reflete exatamente minhas posições, mas é algo para pensar.

Marina Silva: um novo olhar sobre o Brasil - texto de Leonardo Boff

Erram os que pensam que a saida da senadora Marina Silva do PT obedeçe a propósitos oportunistas de uma eventual candidatura à Presidência da República. Marina Silva saiu porque possuía um outro olhar sobre o Brasil, sobre o PAC (Programa de Acelaração do Crescimento) do governo que identifica desenvolvimento com crescimento meramente material e com maior capacidade de consumo. O novo olhar, adequado à crescente consciência da humanidade e à altura da crise atual, exige uma equação diferente entre ecologia e economia, uma redefinição de nossa presença no planeta e um cuidado consciente sobre o nosso futuro comum. Para estas coisas a direção atual do PT é cega. Não apenas não vê. É que não tem olhos. O que é pior.

Para aprofundar esta questão, valho-me de uma correspondência com o sociólogo de Juiz de Fora e Belo Horizonte, Pedro Ribeiro de Oliveira, um intelectual dos mais lúcidos que articula a academia com as lutas populares e as Cebs e que acaba de organizar um livro sobre “A consciência planetária e a religião”(Paulinas 2009) Escreve ele:

“Efetivamente, estamos numa encruzilhada histórica. A candidatura da Marina não faz mais do que deixá-la evidente. O sistema produtivista-consumista de mercado teima em sobreviver, alegando que somente ele é capaz de resolver o problema da fome e da miséria – quando, na verdade, é seu causador. Acontece que ele se impôs desde o século XVI como aquilo que a Humanidade produziu de melhor, ajudado pelo iluminismo e a revolução cultural do século XIX, que nos convenceram a todos da validade de seu dogma fundante: somos vocacionados para o progresso sem fim que a ciência, a técnica e o mercado proporcionam. Essa inércia ideológica que continua movendo o mundo se cruza, hoje, com um outro caminho, que é o da consciência planetária. É ainda uma trilha, mas uma trilha que vai em outra direção”.

“Muitos pensadores e analistas descobriram a existência dessa trilha e chamaram a atenção do mundo para a necessidade de mudarmos a direção da nossa caminhada. Trocar o caminho do progresso sem fim, pelo caminho da harmonia planetária”.

“Esta inflexão era a voz profética de alguns. Mas agora, ela já não clama mais no deserto e sim diante de um público que aumenta a cada dia. Aquela trilha já não aparece mais apenas como um caminho exclusivo de alguns ecologistas mas como um caminho viável para toda a humanidade. Diante dela, o paradigma do progresso sem fim desnuda sua fragilidade teórica e seu dogma antes inquestionável ameaça ruir. Nesse momento, reunem-se todas as forças para mantê-lo de pé, menos por meio de uma argumentação consistente do que pela repetição de que “não há alternativas” e que qualquer alternativa “é um sonho”.

“É aqui que situo a candidatura da Marina. É evidente que o PV é um partido que pode até ter sido fundado com boas intenções mas hoje converteu-se numa legenda de aluguel. Ninguém imagina que a Marina – na hipótese de ganhar a eleição – vá governar com base no PV. Se eventualmente ela vencer, terá que seguir o caminho de outros presidentes sul-americanos eleitos sem base partidária e recorrer aos plebiscitos e referendos populares para quebrar as amarras de um sistema que “primeiro tomou a terra dos índios e depois escreveu o código civil”, como escreveu o argentino Eduardo de la Cerna”.

“Mesmo que não ganhe, sua candidatura será um grande momento de conscientização popular sobre o destino do Brasil e do Planeta. Marina Silva dispensará os marqueteiros, e entrarão em campanha os seguidores de Paulo Freire”.

“Esta é a diferença da candidatura Marina. Serra, do alto da sua arrogância, estimula a candidatura Marina para derrubar Lula e manter a política de crescimento e concentração de riqueza. Lula, por sua vez, levanta a bandeira da união da esquerda contra Serra, mas também para manter a política de crescimento e de concentração da riqueza, embora mitigada pelas políticas sociais”.

“Marina representa outro paradigma. Não mais a má utopia do progresso sem fim, mas a boa utopia da harmonia planetária. A nossa visão não é restrita a 2010-2014. Estamos mirando a grande crise de 2035 e buscando evitá-la enquanto é tempo ou, na pior das hipóteses, buscar alternativas ao seu enfrentamento.

É por isso, por amor a nossos filhos, netos e netas, temos que dar força à candidatura da Marina. E que Paulo Freire nos ajude a fazer dessa campanha eleitoral uma campanha de educação popular de massas”.

Digo eu com Victor Hugo:”Não há nada de mais poderoso no mundo do que uma idéia cujo tempo já chegou”.



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h13
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ESTA LUZ SÓ PODE SER JESUS - artigo de Pedro Alexandre Sanches

Só gostaria de fazer um comentário sobre "A Fazenda", porque, não adianta, eu não consigo deixar de me interessar e ficar ligado nesses shows de realidade.

Ao que tudo indica, quem vai vencer "A Fazenda" é o Dado Dolabella, aquele canastrão - ou "polentão", como meu velho pai dizia para se referir à canastrice interpretativa do Tarcísio Meira quando o Tarcísio Meira ainda era galã.

Está tudo nos conformes, o Dolabella Jr. (não sei quem se lembra, mas o pai dele era uma figura meio repulsiva, meio vilanesca das novelas globais dos anos 70) desde o início contou mesmo com a simpatia instantânea da torcida. Mas. Foi bastante interessante e instrutivo acompanhar a construção da vitória do rapaz pelos... inimigos dele.

É o enredinho básico de todos os shows de realidade. Logo de cara a turma detecta o potencial vencedor de um determinado candidato, e toma como meta principal derrubá-lo. Por isso, passa a persegui-lo, constante e obsessivamente. E exatamente por isso, e em geral na condição autoconstruída de "vítima", o "pobre" consolida um percurso (sofrido, mas) "vitorioso" e, bumba!, fatura o milhão.

Ou seja, os "perdedores" pavimentam o caminho doirado do "vencedor".

Todo mundo há de lembrar uns três ou quatro ou cinco fulanos que venceram assim o "Big Brother". O cara do lado de cá do espelho se identifica com o perseguido porque também se sente um eterno perseguido, pronto, simples assim.

E não sei se esse método brota da "vida real" para os confinamentos, ou foge deles para ela, ou ambos, mas não é só nas telas da Globo e da Record que a fórmula se consagra e se repete. Longe disso.

Por exemplo, se aquele maluco chamado Luiz Inácio Lula da Silva surfa em ondas colossais de popularidade e prestígio, em alguma medida não seria esse seu percurso pavimentado pela espuma raivosa babada pelas bocas de Vejas, Folhas e Globos? Será que eles nos fazem este bem, sem sequer saber? Será que lá nas profundezas dos fundos dos porões das mentalidades eles desejam o bem do Brasil, ainda que o bem do Brasil seja o contrário do que eles mais desejam?

E, a bordo da histeria midiática destes dias que correm, você se espantaria se, num futuro breve, José Sarney fosse eleito para o cargo que quisesse, se o quisesse?

E alguém conhece um brasileiro com mais cara de "vítima" que o "rei" Roberto Carlos?

E a Dilma Roussef, estará secretamente torcendo para que apareçam muitas e muitas e muitas fichas policiais falsas, Linas, Marinas e que tais? (Não estou sendo original aqui, vários têm apontado o efeito fermentador do ódio contra Dilma no crescimento da aceitação a Dilma. Ainda que ogros, damas de sociedade, intelectuais sensíveis e reginas duarte em geral gritem aos quatro ventos seus picarescos "eu tenho medo da Dilma".)

Outro que sabe muito bem se servir da condição de perseguido é aquele homem franzino e de expressão aparentemente impassível chamado Edir Macedo, o bispo-mor da Igreja Universal. Vi ele outro dia no domingão da Record falando mais ou menos isto: que é perseguido, que sempre foi perseguido (inclusive dentro de camburão) e que assim continuará sempre sendo. Está feita a "vítima", pronto, eis a sopa no mel para que seu enorme contingente de admiradores aumente em progressão continuada e autossustentável. Mas, também, om o auxílio luxuoso e platinado de sua maior inimiga, dona Globo - que, no sonho de destruir seu Dolabella particular, brinca com o fogo de rejeitar, ofender e se indispor com o imenso eleitorado evangélico disponível no Brasil.

(Aliás, veja a ironia: há uma evangélica à beira de se tornar candidata à presidência da República, também sob o patrocínio aloprado de inimigos de Lula e Dilma como José Serra, Globo, Veja, Folha & cia limitada.)

E este meu vaivém maluco por personagens disparatados tem um só objetivo final: observar que neste domingo, quando se consumar a vitória do Falabella, quero dizer, Dolabella, o símbolo que estará emoldurado atrás dele não é apenas mais uma enfadonha vitória do "perseguido".

Simbolicamente, o "vencedor" por trás do tão perseguido Dado Dolabella é Edir Macedo, o homem que lhe pagará o prêmio-bagatela de 1 milhão de reais.

*texto de Pedro Alexandre Sanches



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h50
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HENDRIX NO CINEMA


A Legendary Pictures, produtora norte-americana de filmes como Batman Begins300 e Se Beber Não Case, começa a trabalhar num projeto de levar a vida de Jimi Hendrix para as telonas. O roteiro fica nas mãos de Max Borenstein, e os rumores indicam que o guitar man seria interpretado por Andre 3000 (Outkast) ou Lenny Kravitz. A informação surgiu no site da revista Variety, mas parece que vai sair mesmo do papel: o projeto já foi incluído na black list, lista elaborada por executivos de Hollywood que indica os roteiros mais promissores do ano. Por enquanto, o problema é achar um grande estúdio que assuma a responsa de arcar com os custos de direitos autorais sobre as músicas. É esperar que role.


Escrito por Cesar Ribeiro às 11h41
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CONFERÊNCIA COM PIERRE LÉVY

Começa nesta sexta-feira o  Ciclo Era Digital, maionese preparada pelo Sesc que vai reunir estudiosos de França, Itália, Canadá e Brasil para discutir sobre as novas tecnologias digitais de comunicação e seu impacto na sociedade. Na roda temas como sociedade da informação, filosofias da rede, arte global e culturas juvenis online e o futuro digital da democracia. Já estão confirmados figuraças como Alberto Abruzzese (sociologia da comunicação de massa), Derrick de Kerckhove (sociologia da arte), Mario Perniola (estética, teoria da arte e arte contemporânea) e Michel Maffesoli (sociologia do cotidiano).

A abertura será uma conferência com Pierre Lévy, criador do conceito de inteligência coletiva na era digital e professor da cátedra de mesmo nome na Universidade de Otawa (Canadá), que discutirá exatamente sobre esse conceito. Em seguida vai rolar uma mesa-redonda sobre a construção da inteligência coletiva no Brasil, da qual participarão Massimo di Felici, Paulo Nassar, Eduardo Fischer e Yakuy Tupinambá, além do próprio Lévy.


Escrito por Cesar Ribeiro às 18h04
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EXCLUSIVAMENTE PRO MEU BROTHER - quer dizer, e pro paulo ricardo também



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h53
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VIOLETA DE OUTONO




Escrito por Cesar Ribeiro às 11h21
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PLEBE RUDE

 

 



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h07
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SE VIRA NOS 80

PROS QUE ESTÃO EM CASA - HOJERIZAH

Até bem cedo
Esperei pelo telefonema
Tapando com peneira
O sol que vai nascendo.

Não vou tomar café
Nem escovar os dentes
Vou de aguardente
Como o sol que queima a praça

Bom dia, boa tarde
Good night, quero dar um tapa
De topete e cara
Vi nova york internada

E meu amor nao deu em nada
Nem sobrancelhas eriçadas
E a essa altura do fato
Nem fumaça tem cano de descarga.



Escrito por Cesar Ribeiro às 10h39
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PRA CONTINUAR BEM O DIA

Crying Lightning - Arctic Monkeys

Outside the café by the cracker factory
You were practicing a magic trick
And my thoughts got rude
As you talked and chewed
On the last of your pick n mix
Said your mistaken if you thinking that I an't been called cold before
As you bit into your strawberry lace,
And then a flip in your attention in the form of a gobstopper,
Is all you have left and it was going to waste

Your past times
Consisted of the strange
And twisted and deranged
And I love that little game you had called
Crying Lightning
And how you like to aggravate the ice cream man on rainy afternoons

The next time that I caught my own reflection
It was on it's way to meet you
Thinking of excuses to postpone
You never look like yourself from the side
But your profile did not hide,
The fact you knew I was approaching your throne.

With folded arms you occupy the bench like toothache
Saw them, puff your chest out like you never lost a war
And though I try so not to suffer the indignity of a reaction
There was no cracks to grasp, no gaps to claw

And your past times
Consisted of the strange
And twisted and deranged
And I hate that little game you had called
Crying Lightning
And how you like to aggravate the icky man on rainy afternoons
Uninviting
But not have as impossible as everyone assumes
You are Crying Lightning

Your past times
Consisted of the strange
And twisted and deranged
And I hate that little game you had called
Crying Lightning
Crying Lightning
Crying Lightning
Crying Lightning
Your past times
Consisted of the strange
And twisted and deranged
And I hate that little game you had called
Crying


Escrito por Cesar Ribeiro às 16h18
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PRA COMEÇAR BEM O DIA

Pupilas de vinil brilham ensangüentadas na Av. Atlântica
E o corpo de uma Chinesa Videomaker
Jaz espatifado em frente ao Othon Palace

Todos os RJ’s, todos os jornais locais
Todos os plantões policiais noticiam que...

Pupilas de vinil brilham ensangüentadas na...

São 2:45 da manhã, mas tudo começou às 23:45
Naquele edifício abandonado, de frente para Av. Atlântica
Entre a Prado Jr. e a Princesa Isabel
Onde funciona o...

Gueto Hong Kong, Boate Gueto Hong Kong

Uma Chinesa Videomaker supervisiona sua boate pornô
A única com garçonetes da dinastia Ming em topless
Eu digo, Ming em topless

Ela atravessa a multidão e dança de frente pruma imensa vitrine
Lotada de casais trepando, iluminados por slides da "Escrava Isaura"

Tudo em ordem...

Meia-noite. A Chinesa pára de supervisionar
Sua boate pornô
Resolve dedicar-se ao seu passatempo mais feroz.
Ela quer capturar pessoas pela noite de Copacabana
Ela quer chupar o sexo dessas pessoas
Ela quer massacrar os olhos delas com incessantes imagens
De telejornais

Ela entra na sua limusine prateada forrada com pentelhos de pin-ups
E pega a Av. Atlântica em alta velocidade.

0:15. Ela chega na esquina de Siqueira Campos com Atlântica
E joga um cabeção sonífero na cara de um rapaz
Que cai estatelado

Coloca o rapaz dentro de sua limusine prateada
Pega um retorno na Siqueira Campos
E parte em alta velocidade na direção do Leme

0:30. Ela passa em frente ao Meridian

0:35. Ela chega nos subterrâneos de uma garagem na Gustavo Sampaio

0:40. Ela coloca o rapaz no centro de um telão de 360°
Com os olhos esbugalhados por grampos especiais

0:45. Ela liga o telão e os olhos do rapaz
Começam a ser massacrados
Por incessantes imagens de telejornais

0:50. Ela começa a chupar o rapaz
Yeah, yeah!

Ela chupa o rapaz massacrado
Por telejornais, ela chupa

Ela chupa, ela chupa!!!

1:15. E agora, entre uma chupada e outra
A Chinesa diz algumas coisas para o rapaz

"Aí, rapaz. Eu dediquei toda a minha vida ao mundo
Das imagens artificiais
Das telinhas, dos telões
Vetezei dos comerciais mais lisérgicos
Aos mais belos bombardeios aéreos

Por isso eu te digo, rapaz
Que pra cada beijo e facada
Existe uma coisa pesquisada

E o mais vagabundo ferro de passar
Tem a ver com uma pesquisa militar

Quantas vezes o mundo é catalogado
Registrado eletronicamente
Todos os dias?

Por isso eu te digo, rapaz
Que diante das imagens é preciso ter...
e relaxar a razão de todas as coisas!"

Sexuais imagens de telejornais
Internacionais imagens de telejornais
Policiais imagens de telejornais
Espaciais imagens de telejornais

1:45. Sexo chupado, olhos massacrados

O rapaz é deixado, abandonado pela Vídeo-exú
Numa encruzilhada do Leme
E a Vídeo-exu resolve dar uma voltinha até o Othon Palace
Atravessando as multidões que saem
Das sessões de meia-noite de Copacabana

Duas horas da manhã!

Ela atravessa as multidões cinematográficas

Do Cinema 1
Do Ricamar
Do Jóia, do Bruni, do Condor
Do Art-Palácio
Do Copacabana
Do Roxy!!

E o que ela vê na madrugada da Xavier?
Ela vê na madrugada da Xavier da Silveira
Na vitrine de uma loja de artigos esportivos Adidas
Um telão passando ininterruptos saques
De Martina Navratilova e Gabrielle Sabatini

Hipnotizada por um "saque-Sabatini", ela nem percebe a aproximação
Das famosas menininhas "Neo-Madonnas" com seu novo visual

Cabelo Curto, louro platinado
Vestido de couro azulado
Discretos crucifixos
Lasers camuflados

Quando a Mandarim Pornô se toca
Já tá cercada pela Neo-Madonnas que perguntam ironicamente:
Surprise, Shangai?

2:35. As Neo-Madonnas levam pro alto do Othon Palace
A Chinesa Videomaker

2:44. As Neo-Madonnas vão jogar
Vão jogar
E vai cair e vão jogar
Caiu!

Bateu com a boquinha no 10° andar
Bateu com os peitinhos no 8° andar

China-Exú, Like a Virgin
China-Exú, Holiday
China-Exú, Lucky Star
China-Exú, Material Girl
China-Exú, Papa don’t Preach
China-Exú, True Blue
China-Exú, Get in to the Groove
China-Exú

"Now I know you’re mine!"

5° andar
3° andar
2° andar
1° andar

China-Exú!



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h55
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LABORATÓRIO DE ROTEIROS PARA CINEMA

Pra quem curte escrever pra cinema, estão abertas as inscrições para o décimo segundo Laboratório Sesc Rio de Roteiros para Cinema, que vai selecionar dez roteiros que contarão com consultoria de profissionais do Brasil e do exterior para melhorar o desenvolvimento da bagaça. O laboratório acontece de 23 a 27 de novembro no Sesc de Petrópolis.


Escrito por Cesar Ribeiro às 17h53
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O FIM DA PICADA - PRÉ-ESTREIA HOJE


Rola hoje no Cinemark do shopping Pátio Paulista a pré-estreia do filme o O Fim da Picada. Dirigido por Christian Saghaard e produzido pela Cinegrama Filmes, o longa é inspirado na obra Macário e tem no elenco a grande Maura Baiocchi, uma das feras do butô no Brasil. Conta ainda com participações especiais de Carlos Reichenbach e José Mojica Marins. A bagaça rola às 19 horas.


Escrito por Cesar Ribeiro às 16h57
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NOVA MÚSICA DO RADIOHEAD PARA DOWNLOAD

Depois de "vazar" na internet na semana passada sem que banda alguma assumisse a autoria, o Radiohead confirmou que a música These Are My Twisted Words é mesmo deles e soltou hoje a bagaça no site oficial para download gratuito. Quem curte a parada, corre lá.


Escrito por Cesar Ribeiro às 16h09
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JANE'S ADDICTION NO BRASIL

Esta notícia é fodástica. A banda Jane's Addiction confirmou via Twitter que vem ao Brasil para tocar no dia 7 de novembro no Maquinária 2009, que acontece na Chácara do Jockey (São Paulo) e tem no line-up o Faith No More. Os ingressos já tão à venda, pela bagatela de 200 a 450 mangos. O lance agora é ir economizando na grana da cevada. Brother, bora lá? Essa é imperdível!


Escrito por Cesar Ribeiro às 16h07
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