Rola de hoje para amanhã, em Sampa, a Virada Cultural 2010. E o grupo Garagem 21 apresentará a peça FODOROVSKA. Será às 23h, na Pinacoteca. Entrada free. Bora lá? A foto acima é de Nelson Kao. Na postagem abaixo seguem fotos de Marcus Correa durante apresentação no Satyros. Só lembrando que a peça continua em cartaz no Satyros 2, às quintas 22h30, até o fim deste mês.
Este é um som fodástico da banda texana Butthole Surfers, liderada por Gibby Haynes. A música chama Pepper e é do álbum Electriclarryland, de 1996. E sempre vale a dica: põe no talo.
Meus companheiros de manguaça, depois de Sessenta Minutos Para o Fim e Somente os Uísques São Felizes, o grupo Garagem 21 realiza a estreia free da peça FODOROVSKA, que acontece no dia 4 de março (quinta-feira), às 22h30, no Espaço dos Satyros 2 (São Paulo).
A PEÇA Utilizando a linguagem de HQs e desenhos adultos e mesclando referências que vão de Foucault a South Park, esta comédia mostra a festa de comemoração dos 250 anos da Fábrica de Supositórios Brasil, em que a atração principal é uma peça na qual um homem passa seus últimos momentos cercado por personagens como uma mulher que só dorme, um coelho escritor e a estrela pop do Quirguistão Sonja Fodorovska.
ESTREIA FREE Como em todas as temporadas do Garagem 21 no Espaço dos Satyros, a estreia será grátis. Para confirmar presença basta mandar email com seu nome, nome dos convidados e emails de cada um para cesarribeiroteatro@uol.com.br.
A EQUIPE texto, direção e trilha sonora Cesar Ribeiro
com Paulo Campos (Homem) Bira Honoratto (Enfermeiro 1) Sergio Silva Coelho (Enfermeiro 2/Sonja Fodorovska) Priscilla Maia (Velha 1/Cego) Keli Viacelli (Velha 2/Cego) Nath Calan (Sono) Ruth Souza (Coelho)
iluminação Fábio Cabral Cesar Ribeiro
preparação corporal Bira Honoratto
design gráfico Daniel Lemos
fotos e filmagem Nelson Kao colaboradores Bruno Gambarotto Kenn Yokoi Ulisses Sakurai
assessoria de imprensa Renata Lopes
assistente de produção Sergio Silva Coelho
produção Guto Mendonça
realização Garagem 21
A TEMPORADA
4 de março a 27 de maio Quintas-feiras 22h30
Comédia 60 minutos 12 anos 60 lugares R$ 20 (classe e estudantes pagam R$ 10) A bilheteria abre sempre 1h antes de cada sessão
Espaço dos Satyros 2 (São Paulo) Praça Roosevelt 134 3258.6345
LISTA CAMARADA Quem não puder ir à estreia free e não for da classe nem estudante, basta enviar um email para cesarribeiroteatro@uol.com.br com seu nome, nome dos convidados e email de cada um pedindo para entrar na Lista Camarada. Estando com o nome na lista, válida para toda a temporada, cada pessoa paga apenas R$ 10.
DIVULGAÇÃO Quem puder, por favor ajude a divulgar a peça por meio de seus blogs, sites, mailing etc. Os que colaborarem concorrem a meio pirulito de manjubinha.
PROGRAMA DUPLO Quem quiser ver um programa duplo, dois atores do Garagem 21 estão com o projeto paralelo Waltz, no Satyros 2, logo antes da gente. É um espetáculo de música cênica sob direção de Bira Honoratto e com interpretação de Nath Calan. Rola às 20h30 das quintas-feiras.
Lembro que tinha acabado de chegar do Rio, onde ia muito no Mamão com Açúcar e na agora extinta Help com uma galera imensa. Procurava uma danceteria por Sampa. Falaram da Up & Down. Fui lá a primeira vez e até os 45 do segundo tempo tinha achado a bagaça um antro da playboyzada. É preciso dizer que nessa época eu andava de coturno, calça jeans rasgada, camisa branca pichada com nome de bandas punk e vira e mexe cabelo semimoicano. Era um pseudopunk pseudocarioca chegando a São Paulo. Claro que o motivo de ir ao antro era dar uma sacada na mulherada. Essa parte era bacana. Mas essa impressão escrota da primeira vez acabou quando começou a leva punk tradicional da Up & Down. Minha memória é péssima, mas acho que eram uns 30 ou 45 minutos só de pegada punk. Talvez mais. A playboyzada acabava abrindo a roda na marra ou levava cotovelada até não querer mais para que um grupo de 30 ou 40 punks de butique, eu incluso, extravasassem. O engraçado é que, mesmo naquela muvuca que era a Up, raramente saía briga. Tou falando isso porque California Uber Alles, que tá na trilha de Fodorovska, era uma das músicas que nunca faltavam, ao lado de Sex Pistols, Clash, Ramones e outras do gênero. Acho que se rolasse uma leva dessas numa casa playba de hoje, haveria uma pilha de corpos estendidos no chão. Alguém aí frequentava essa bagaça também? Porra, e outro dia preciso contar as idas com os camaradas à japanese section do Clube Ipê. Uma danceteria que tinha um dia reservado basicamente pra comunidade nipônica. Lá circulavam uns dez caucasianos e uns 350 mil orientais. Mas quem conhece as mestiças, sabe do que estou falando. Nego enfrenta até um exército de Bruce Lees.
Como não podia deixar de ser, Rammstein também está na trilha de Fodorovska. E a música da vez é Amour, seguida aqui de Dead Kennedys, com California Uber Alles, em uma versão ao vivo. Nem precisa dizer, não é? Põe no talo!
Algumas coisas mudaram para esta próxima temporada do Garagem 21. Além da entrada de novos atores, do retorno de velhos parceiros e do cuidado maior com figurino e cenografia (como disse em um texto anterior), pela primeira vez estou dividindo com alguém a iluminação de uma peça do grupo (o comparsa Fábio Cabral). Também pela primeira vez contamos com uma pessoa para fazer a produção, o nosso camarada Guto Mendonça. A novidade da hora é que, também pela primeira vez, agora temos uma assessora de imprensa, a gente boníssima Renata Lopes, na foto em sua versão hamletiana. Vamos ver que bicho vai dar.
Agora vai uma palinha das músicas que farão parte da trilha sonora de Fodorovska. Para variar um pouco, a pegada junta punk rock, rock eletrônico e música eletrônica. A única que sai desse universo é a música Avalanche, do LeonardCohen. Os vídeos são dessa música — numa versão ao vivo; a que usamos na peça é a de estúdio — e de My Idea of Fun, dos Stooges. Põe no talo.
Gosto muito das duas criações de arte gráfica que o comparsa DanielLemos fez para a peça Fodorovska. Como conceito, acho muito mais bacana o remédio, mas sentia falta de uma imagem da peça. Pedi para o comparsa fazer uma mudança sutil, colocando uma pequena foto no lugar do logo onde está o campo Realização. O resultado ficou assim, que talvez seja nossa versão final do cartaz. Funciona?
Meu polvo e minha póva, agora é a vez de pedir a opinião de vocês sobre o cartaz da peça. O camarada Daniel Pirata Lemos criou duas imagens fodorovskas pra peça. As duas vão abaixo. Quero saber de qual vocês gostam mais. E continuem respondendo a mensagem abaixo também, de preferência aqui. Muita gente responde pelo meu email ou pessoalmente. Pelo email complica, porque tenho de abrir lá e depois conferir aqui. Pessoalmente nem adianta, afinal vocês sabem que minha memória é praticamente nula. Fechado?
Meu polvo e minha póva, como está escrito na mensagem abaixo, no dia 4 de março o grupo Garagem 21 estreia sua nova montagem: Fodorovska, no Satyros 2. O padawan Nelson Kao, que mais uma vez ficou responsável pela fotografia e filmagem da peça, despachou uma caralhada de imagens da bagaça durante a madruga de hoje. Abaixo seguem as fotos na sequência real da peça. Por aí, dá para ter uma ideia do que estamos fazendo.
Agora, queria saber a opinião de vocês. Dessa porrada de fotos, preciso escolher umas cinco para fazer a divulgação na imprensa. E então, quais dessas fotos (que agora, com uma dica de mi padre, estão numeradas) vocês acham mais bacanas? Os que responderem concorrem a um pirulito de magnésia bisurada.
No dia 4 de março o grupo Garagem 21 estreia sua nova montagem: Fodorovska, em que numa festa em comemoração aos 250 anos da Fábrica de Supositórios Brasil a principal atração é uma peça na qual um homem fracassado vive seus últimos momentos cercado por um coelho escritor, uma mulher que só dorme e a musa pop do Quirguistão Sonja Fodorovska, além de outras personas desse naipe. A bagaça rola de 4 de março a 27 de maio, às quintas-feiras 22h30, no Espaço dos Satyros 2.
Como estou sem escrever aqui há uma caralhada, vou dar uma atualizada em quem curte nossas viagens. Do final do ano para cá o grupo cresceu, sendo hoje sete atores e mais uma equipe bem bacana. Juntaram-se ao grupo os atores Bira Honoratto, Keli Viacelli, Nath Calan e Ruth Souza. Além disso contamos agora com a iluminação do camarada Fábio Cabral, a produção do Guto Mendonça e a colaboração de Bruno Gambarotto e Kenn Yokoi. Isso sem falar dos que estão no grupo há um tempo: Sergio Silva Coelho, Paulo Campos, Priscilla Maia e Ulisses Sakurai, que não está nesta peça porque rodará um longa como ator durante a temporada. E também nosso comparsa Daniel Lemos, que vem alternando com Diego Bianchi a criação gráfica de nossos trampos.
Uma coisa que dá pra sacar é que nunca tive muito cuidado com o lance de figurino e cenário, mesmo porque isso requer certa grana que não temos e também porque sou uma anta para esse tipo de coisa. Mas nesta peça está havendo um cuidado maior com essa praia. Toda a ideia de figurino e ambientação cênica foi pensada. Não digo bem pensada, mas foi pensada, porque antes usávamos como cenário o que tínhamos à mão e o figurino nego via com a vizinha, com a avó, com o papagaio. Agora a gente foi correr atrás de algumas coisas que deixassem nossa visão mais perto de ser o que queríamos. Então quem conhece o que a gente faz pode se surpreender um pouco. Mas fica o aviso: claro que nada estilo Broadway, sub-Broadway ou subsubsubsubsub-Broadway.
Mas o motivo desta postagem é que ontem estivemos no Espaço dos Satyros. A ideia era passar algumas cenas da peça para que nosso camarada Nelson Kao, que desde o ano passado vem fazendo as fotos e filmagens do grupo, registrasse as primeiras imagens. Só que o negócio acabou virando um corridão com trilha, luz meio improvisada ainda e figurinos, só faltando a composição cenográfica, que também foi improvisada. Ainda temos um mês e uma semana para a estreia, então a peça ainda está sem ritmo e faltando acertar alguns detalhes, mas pelo resultado de ontem fica a impressão de que este pode ser o melhor trampo do grupo. Vamos ver. Bom, chega de palavrório. Agora vai a peça pela lente do Kao. Se puderem comentar a bagaça, a casa agradece.
Ela abriu um sorriso como eu não via há tempos. Sem faca entre os dentes, sem golpes de machado na testa. Do outro lado da Augusta, encenava ois entre a multidão de álcool e feridas. Combinação perfeita para a cicatrização. Encontro com ex é difícil. Sempre rola aquela frieza de quem já foi íntimo demais. Sincero demais. Como se o outro mostrasse nosso fracasso. Mas naquela noite ela tava vestida de sorrisos. O bar cheio, mas só ela existia. Sempre é assim. Quando chamam pra algum lugar em que só conheço uma pessoa e essa pessoa estará com uma pá de amigos, desisto. Minha sociabilidade nunca foi minha melhor arma. Só que por ela eu viro cachorro: basta jogar um osso que começo a salivar. Então subi na moto, vesti minha cara possível e fui como John Wayne certo da vitória num faroeste qualquer. Sabe quando você é moleque e ninguém te avisou que as coisas não vão dar certo? Ou te avisaram mas você nem prestou atenção? Com ela era assim. Não que um sapo fosse virar príncipe. Só que a gente não havia chegado na parte do filme em que a bruxa aparece. Você tem esperanças, acha que vai salvar o mundo mesmo sem saber direito quem é o inimigo. Só depois percebe que o Coringa mora na tua sombra. E a casa cai. O foda é que a gente sabe que quando a banheira despenca do segundo andar para o porão só resta gargalhar. Não existe muro, Medéia tá sempre pronta pra retalhar os arrotinhos. E você ainda tenta um último sorriso. Fazia uma puta cara que a gente não se via. Falava por telefone, por email, por tudo que pode proteger. Mas agora ela tava lá sentada no balcão do bar entre uma cerveja e uma mexida no cabelo. O mundo desaparece quando uma mulher mexe no cabelo. É como ganhar na loteria. Nem é preciso retirar o prêmio. Foi mais ou menos por aí. Memórias da relação, como estão os amigos agora distantes, atualização da vida de cada um, as baladas, o trabalho que paga as baladas e muitos bares. No meio disso uma frase dela jogada no meio de outras: “Terminei o namoro”. “Faz tempo?” “Uns quinze dias.” Tava lá a resposta. A gente sempre termina o namoro. E engata outro. E depois outro. E ainda outro. Nesse tempo o endereço muda, a gente muda. Por isso um encontro depois de tanto tempo. Pra sentir que ainda existe. Que sempre haverá um olhar. Que um Nicolas Cage sempre sairá no meio do incêndio com o corpo nos braços e o ouvido atento: “Até que não bebi tanta fumaça”. Tá tudo certo.
HARMONICA NUNCA SERÁ ALGUÉM SE NÃO HOUVER UM BROTHER ASSASSINADO
Há sempre um herói esperando na esquina, no alto de um prédio, para salvar o mundo. Alguém que recebeu superpoderes ou superconsciência. Exceto o Superman, que nasceu com eles e busca disfarçar para o mundo sua desumanização, como diz Carradine em Kill Bill Vol. 2. Nos gibis eles são tristes. No cinema e na literatura normalmente são fracassados. David Banner segue sozinho. Peter Parker luta contra a timidez. Não há nenhuma mocinha sentada na sarjeta para recolher os escombros. No máximo um cachorro velho dá uma lambida nas feridas e segue seu caminho. Já os vilões dão festas, são extrovertidos, abusam de sua prepotência e são exemplos do que se chama de homens bem-sucedidos. Tomam muita porrada no final e sempre perdem. Mas dormem tranquilos. Um herói nunca dorme tranquilo. Sempre falta uma dose de tequila, sempre sobra uma pergunta angustiada sobre o ser no mundo. E quando se tenta humanizar o vilão, dar a ele um grau de consciência que também o leve à condição de filósofo da realidade, vem a bomba. Como em A Queda. O homem que pensa deve sofrer a vida inteira, ter crises existenciais, ser depressivo. Mas sempre vence no final. Já o feliz vilão brinca de poderoso, sacaneia todo o mundo, mas deve morrer no final do filme. A não ser que esteja prevista uma sequência. Aliens não meditam, Jasons não tem crise de consciência, a Spectre precisa ser dizimada sempre. É de se pensar qual é o nosso limite de atração pelo fracasso, pelo sentimento religioso de sacrifício. Pois é isto que está implícito: o homem justo precisa sacrificar-se. Não há possibilidade alguma de ser correto se não há tristeza, se não há alta dose de amargura e deslocamento no mundo. Se a estrada fosse iluminada, ninguém precisaria de herói para acender a luz. E ninguém acredita num herói pai de família. Só James Bond escapa dessa. No fundo é isto: nós sempre gostaremos muito daqueles que fazem por nós aquilo que nunca faríamos por ninguém. Ou quase ninguém. Mas é foda, porque Harmonica nunca será alguém se não houver um brother assassinado.