Boteco do Ribeiro - tequilas culturais & outras azambujas


PSEUDOPUNK PSEUDOCARIOCA

Lembro que tinha acabado de chegar do Rio, onde ia muito no Mamão com Açúcar e na agora extinta Help com uma galera imensa. Procurava uma danceteria por Sampa. Falaram da Up & Down. Fui lá a primeira vez e até os 45 do segundo tempo tinha achado a bagaça um antro da playboyzada. É preciso dizer que nessa época eu andava de coturno, calça jeans rasgada, camisa branca pichada com nome de bandas punk e vira e mexe cabelo semimoicano. Era um pseudopunk pseudocarioca chegando a São Paulo. Claro que o motivo de ir ao antro era dar uma sacada na mulherada. Essa parte era bacana. Mas essa impressão escrota da primeira vez acabou quando começou a leva punk tradicional da Up & Down. Minha memória é péssima, mas acho que eram uns 30 ou 45 minutos só de pegada punk. Talvez mais. A playboyzada acabava abrindo a roda na marra ou levava cotovelada até não querer mais para que um grupo de 30 ou 40 punks de butique, eu incluso, extravasassem. O engraçado é que, mesmo naquela muvuca que era a Up, raramente saía briga. Tou falando isso porque California Uber Alles, que tá na trilha de Fodorovska, era uma das músicas que nunca faltavam, ao lado de Sex Pistols, Clash, Ramones e outras do gênero. Acho que se rolasse uma leva dessas numa casa playba de hoje, haveria uma pilha de corpos estendidos no chão. Alguém aí frequentava essa bagaça também? Porra, e outro dia preciso contar as idas com os camaradas à japanese section do Clube Ipê. Uma danceteria que tinha um dia reservado basicamente pra comunidade nipônica. Lá circulavam uns dez caucasianos e uns 350 mil orientais. Mas quem conhece as mestiças, sabe do que estou falando. Nego enfrenta até um exército de Bruce Lees.


Escrito por Cesar Ribeiro às 15h42
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MAIS UMA PALINHA DA TRILHA FODOROVSKA

Como não podia deixar de ser, Rammstein também está na trilha de Fodorovska. E a música da vez é Amour, seguida aqui de Dead Kennedys, com California Uber Alles, em uma versão ao vivo. Nem precisa dizer, não é? Põe no talo!







Escrito por Cesar Ribeiro às 13h08
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ALGUMAS MUDANÇAS

Algumas coisas mudaram para esta próxima temporada do Garagem 21. Além da entrada de novos atores, do retorno de velhos parceiros e do cuidado maior com figurino e cenografia (como disse em um texto anterior), pela primeira vez estou dividindo com alguém a iluminação de uma peça do grupo (o comparsa Fábio Cabral). Também pela primeira vez contamos com uma pessoa para fazer a produção, o nosso camarada Guto Mendonça. A novidade da hora é que, também pela primeira vez, agora temos uma assessora de imprensa, a gente boníssima Renata Lopes, na foto em sua versão hamletiana. Vamos ver que bicho vai dar.


Escrito por Cesar Ribeiro às 16h14
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UMA TRILHA FODOROVSKA

Agora vai uma palinha das músicas que farão parte da trilha sonora de Fodorovska. Para variar um pouco, a pegada junta punk rock, rock eletrônico e música eletrônica. A única que sai desse universo é a música Avalanche, do Leonard Cohen. Os vídeos são dessa música — numa versão ao vivo; a que usamos na peça é a de estúdio — e de My Idea of Fun, dos Stooges. Põe no talo. 







Escrito por Cesar Ribeiro às 13h25
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UMA MUDANÇA SUTIL

Gosto muito das duas criações de arte gráfica que o comparsa Daniel Lemos fez para a peça Fodorovska. Como conceito, acho muito mais bacana o remédio, mas sentia falta de uma imagem da peça. Pedi para o comparsa fazer uma mudança sutil, colocando uma pequena foto no lugar do logo onde está o campo Realização. O resultado ficou assim, que talvez seja nossa versão final do cartaz. Funciona?

 



Escrito por Cesar Ribeiro às 23h41
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A ARTE DA FODOROVOSKA - POR DANIEL LEMOS

Meu polvo e minha póva, agora é a vez de pedir a opinião de vocês sobre o cartaz da peça. O camarada Daniel Pirata Lemos criou duas imagens fodorovskas pra peça. As duas vão abaixo. Quero saber de qual vocês gostam mais. E continuem respondendo a mensagem abaixo também, de preferência aqui. Muita gente responde pelo meu email ou pessoalmente. Pelo email complica, porque tenho de abrir lá e depois conferir aqui. Pessoalmente nem adianta, afinal vocês sabem que minha memória é praticamente nula. Fechado?


Escrito por Cesar Ribeiro às 11h04
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FODOROVSKA EM FOTOGRAMAS - POR NELSON KAO

Meu polvo e minha póva, como está escrito na mensagem abaixo, no dia 4 de março o grupo Garagem 21 estreia sua nova montagem: Fodorovska, no Satyros 2. O padawan Nelson Kao, que mais uma vez ficou responsável pela fotografia e filmagem da peça, despachou uma caralhada de imagens da bagaça durante a madruga de hoje. Abaixo seguem as fotos na sequência real da peça. Por aí, dá para ter uma ideia do que estamos fazendo.

Agora, queria saber a opinião de vocês. Dessa porrada de fotos, preciso escolher umas cinco para fazer a divulgação na imprensa. E então, quais dessas fotos (que agora, com uma dica de mi padre, estão numeradas) vocês acham mais bacanas? Os que responderem concorrem a um pirulito de magnésia bisurada.


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Escrito por Cesar Ribeiro às 11h35
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PRIMEIRAS IMAGENS DE FODOROVSKA

No dia 4 de março o grupo Garagem 21 estreia sua nova montagem: Fodorovska, em que numa festa em comemoração aos 250 anos da Fábrica de Supositórios Brasil a principal atração é uma peça na qual um homem fracassado vive seus últimos momentos cercado por um coelho escritor, uma mulher que só dorme e a musa pop do Quirguistão Sonja Fodorovska, além de outras personas desse naipe. A bagaça rola de 4 de março a 27 de maio, às quintas-feiras 22h30, no Espaço dos Satyros 2.

Como estou sem escrever aqui há uma caralhada, vou dar uma atualizada em quem curte nossas viagens. Do final do ano para cá o grupo cresceu, sendo hoje sete atores e mais uma equipe bem bacana. Juntaram-se ao grupo os atores Bira Honoratto, Keli Viacelli, Nath Calan e Ruth Souza. Além disso contamos agora com a iluminação do camarada Fábio Cabral, a produção do Guto Mendonça e a colaboração de Bruno Gambarotto e Kenn Yokoi. Isso sem falar dos que estão no grupo há um tempo: Sergio Silva Coelho, Paulo Campos, Priscilla Maia e Ulisses Sakurai, que não está nesta peça porque rodará um longa como ator durante a temporada. E também nosso comparsa Daniel Lemos, que vem alternando com Diego Bianchi a criação gráfica de nossos trampos.

Uma coisa que dá pra sacar é que nunca tive muito cuidado com o lance de figurino e cenário, mesmo porque isso requer certa grana que não temos e também porque sou uma anta para esse tipo de coisa. Mas nesta peça está havendo um cuidado maior com essa praia. Toda a ideia de figurino e ambientação cênica foi pensada. Não digo bem pensada, mas foi pensada, porque antes usávamos como cenário o que tínhamos à mão e o figurino nego via com a vizinha, com a avó, com o papagaio. Agora a gente foi correr atrás de algumas coisas que deixassem nossa visão mais perto de ser o que queríamos. Então quem conhece o que a gente faz pode se surpreender um pouco. Mas fica o aviso: claro que nada estilo Broadway, sub-Broadway ou subsubsubsubsub-Broadway.

Mas o motivo desta postagem é que ontem estivemos no Espaço dos Satyros. A ideia era passar algumas cenas da peça para que nosso camarada Nelson Kao, que desde o ano passado vem fazendo as fotos e filmagens do grupo, registrasse as primeiras imagens. Só que o negócio acabou virando um corridão com trilha, luz meio improvisada ainda e figurinos, só faltando a composição cenográfica, que também foi improvisada. Ainda temos um mês e uma semana para a estreia, então a peça ainda está sem ritmo e faltando acertar alguns detalhes, mas pelo resultado de ontem fica a impressão de que este pode ser o melhor trampo do grupo. Vamos ver. Bom, chega de palavrório. Agora vai a peça pela lente do Kao. Se puderem comentar a bagaça, a casa agradece.



Escrito por Cesar Ribeiro às 19h56
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GOOD VIBRATIONS - 2010



Escrito por Cesar Ribeiro às 03h29
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SOBRE ESTA MADRUGADA - E ALGUMAS OUTRAS

Não sei exatamente quando

Mas em alguma curva do caminho

Me tornei algo menos que um

Otário.



Escrito por Cesar Ribeiro às 03h45
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ALICE IN WONDERLAND



Escrito por Cesar Ribeiro às 15h52
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NOTÍCIAS DO FIM DO MUNDO



Escrito por Cesar Ribeiro às 18h10
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ATÉ QUE NÃO BEBI TANTA FUMAÇA

Ela abriu um sorriso como eu não via há tempos. Sem faca entre os dentes, sem golpes de machado na testa. Do outro lado da Augusta, encenava ois entre a multidão de álcool e feridas. Combinação perfeita para a cicatrização. Encontro com ex é difícil. Sempre rola aquela frieza de quem já foi íntimo demais. Sincero demais. Como se o outro mostrasse nosso fracasso. Mas naquela noite ela tava vestida de sorrisos. O bar cheio, mas só ela existia. Sempre é assim. Quando chamam pra algum lugar em que só conheço uma pessoa e essa pessoa estará com uma pá de amigos, desisto. Minha sociabilidade nunca foi minha melhor arma. Só que por ela eu viro cachorro: basta jogar um osso que começo a salivar. Então subi na moto, vesti minha cara possível e fui como John Wayne certo da vitória num faroeste qualquer. Sabe quando você é moleque e ninguém te avisou que as coisas não vão dar certo? Ou te avisaram mas você nem prestou atenção? Com ela era assim. Não que um sapo fosse virar príncipe. Só que a gente não havia chegado na parte do filme em que a bruxa aparece. Você tem esperanças, acha que vai salvar o mundo mesmo sem saber direito quem é o inimigo. Só depois percebe que o Coringa mora na tua sombra. E a casa cai. O foda é que a gente sabe que quando a banheira despenca do segundo andar para o porão só resta gargalhar. Não existe muro, Medéia tá sempre pronta pra retalhar os arrotinhos. E você ainda tenta um último sorriso. Fazia uma puta cara que a gente não se via. Falava por telefone, por email, por tudo que pode proteger. Mas agora ela tava lá sentada no balcão do bar entre uma cerveja e uma mexida no cabelo. O mundo desaparece quando uma mulher mexe no cabelo. É como ganhar na loteria. Nem é preciso retirar o prêmio. Foi mais ou menos por aí. Memórias da relação, como estão os amigos agora distantes, atualização da vida de cada um, as baladas, o trabalho que paga as baladas e muitos bares. No meio disso uma frase dela jogada no meio de outras: “Terminei o namoro”. “Faz tempo?” “Uns quinze dias.” Tava lá a resposta. A gente sempre termina o namoro. E engata outro. E depois outro. E ainda outro. Nesse tempo o endereço muda, a gente muda. Por isso um encontro depois de tanto tempo. Pra sentir que ainda existe. Que sempre haverá um olhar. Que um Nicolas Cage sempre sairá no meio do incêndio com o corpo nos braços e o ouvido atento: “Até que não bebi tanta fumaça”. Tá tudo certo.


Escrito por Cesar Ribeiro às 17h22
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LAERTE



Escrito por Cesar Ribeiro às 15h48
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HARMONICA NUNCA SERÁ ALGUÉM SE NÃO HOUVER UM BROTHER ASSASSINADO

Há sempre um herói esperando na esquina, no alto de um prédio, para salvar o mundo. Alguém que recebeu superpoderes ou superconsciência. Exceto o Superman, que nasceu com eles e busca disfarçar para o mundo sua desumanização, como diz Carradine em Kill Bill Vol. 2. Nos gibis eles são tristes. No cinema e na literatura normalmente são fracassados. David Banner segue sozinho. Peter Parker luta contra a timidez. Não há nenhuma mocinha sentada na sarjeta para recolher os escombros. No máximo um cachorro velho dá uma lambida nas feridas e segue seu caminho. Já os vilões dão festas, são extrovertidos, abusam de sua prepotência e são exemplos do que se chama de homens bem-sucedidos. Tomam muita porrada no final e sempre perdem. Mas dormem tranquilos. Um herói nunca dorme tranquilo. Sempre falta uma dose de tequila, sempre sobra uma pergunta angustiada sobre o ser no mundo. E quando se tenta humanizar o vilão, dar a ele um grau de consciência que também o leve à condição de filósofo da realidade, vem a bomba. Como em A Queda. O homem que pensa deve sofrer a vida inteira, ter crises existenciais, ser depressivo. Mas sempre vence no final. Já o feliz vilão brinca de poderoso, sacaneia todo o mundo, mas deve morrer no final do filme. A não ser que esteja prevista uma sequência. Aliens não meditam, Jasons não tem crise de consciência, a Spectre precisa ser dizimada sempre. É de se pensar qual é o nosso limite de atração pelo fracasso, pelo sentimento religioso de sacrifício. Pois é isto que está implícito: o homem justo precisa sacrificar-se. Não há possibilidade alguma de ser correto se não há tristeza, se não há alta dose de amargura e deslocamento no mundo. Se a estrada fosse iluminada, ninguém precisaria de herói para acender a luz. E ninguém acredita num herói pai de família. Só James Bond escapa dessa. No fundo é isto: nós sempre gostaremos muito daqueles que fazem por nós aquilo que nunca faríamos por ninguém. Ou quase ninguém. Mas é foda, porque Harmonica nunca será alguém se não houver um brother assassinado.


Escrito por Cesar Ribeiro às 17h25
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FOTOS INCRÍVEIS DO APAGÃO



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h54
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TRAMPOPACARAIO

Entonces é o seguinte, meu povo e minha póva: na segunda-feira 2 de novembro, às 15 horas, estaremos na tenda do Dramamix (dentro das Satyrianas) com a peça Comunismo, de Eduardo Sterzi. Eu dirijo a bagaça e no elenco estão Fabio Penna e Tales Penteado. Mas antes disso, no domingo 1 de novembro, às 21 horas, também estaremos na tenda do Dramamix. Desta vez com o texto Os Cachorros da Praça Roosevelt Só Podem Estar Surdos, do Germano Pereira. No elenco estão Paulo Campos e Ulisses Sakurai. A primeira será uma encenação mesmo, mas esta última deve ser uma leitura dramática. E no dia 4 de novembro estreia a peça A Lua É Minha, texto do Mário Bortolotto com direção do Eduardo Frin. No elenco estão Ruy Andrade, Fernanda Fazzi e Luisa Valente. Eu faço a luz da bagaça. Já neste fim de semana, 24 e 25 de outubro, às 18h30, ocorrem as duas últimas apresentações de Somente os Uísques São Felizes, no Satyros 2. E no dia 3 de novembro começamos os ensaios para nosso próximo projeto, Ratos Jogam Xadrez na Escuridão, que ficará em cartaz às quintas-feiras 22h de março a maio, também no Satyros 2. Quer dizer, trampopacaraio. A foto é da Lenise Pinheiro para os Uísques.


Escrito por Cesar Ribeiro às 16h45
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LENISE PINHEIRO

Sempre detestei teatro. Era daqueles que, obrigados pela escola a ver as peças, só conseguiam pensar "quem esses marmanjos pensam que enganam?" Achava tudo uma imensa merda. Quer dizer, ver teatro infantil me vez fugir do teatro como vampiro foge da cruz, do alho e da beterraba azul. O tempo foi passando e, já adolescente e pós-adolescente, andava com um pessoal punk. Punks classe média, apolitizados... nada de movimento anárquico. Até chegar uma hora em que enchi o saco. Minha irmã, Kátia, fazia teatro amador no Club Homs e sempre falava que o pessoal era bacana. Fora isso, sabia que havia muitas menininhas e que as menininhas eram, digamos, liberais. Claro que entrei para o grupo. E gostei da brincadeira, tanto que depois fui fazer escola profissionalizante de interpretação, no Indac. No meu teste para entrar no Indac chamei uma camarada da zueira para fazer cena comigo. Tirésias e algum outro personagem que não lembro (era preciso fazer uma cena de teatro clássico e uma de teatro moderno). Meu figurino era coturno militar, camisa branca pichada com nomes de bandas punk e calça jeans rasgada. O traje básico do "movimento". Acabei passando no teste. Essa época em que comecei a fazer teatro foi a mesma época em que comecei a ver teatro. E aí a coisa mudou de figura, porque tive a puta sorte de os caras estarem fazendo coisas fodas na época. Assisti em curto espaço de tempo Dionysus, do Tadashi Suzuki, Trilogia Antiga, do Andrei Serban, Suz O Suz, do Fura Dels Baus, Paraíso Zona Norte, do Antunes Filho, e The Flash and the Crash Days, do Gerald Thomas. Também vi em vídeo muitas obras do Kantor e da Pina Bausch. Tudo era duca. Mas uma coisa chamava muito a atenção: as fotos dos espetáculos do Gerald — acho o trabalho de direção de ator do Antunes uma violência de boa, e a estética de Gerald é fudidaça. Tudo que via de imagem dele me fazia querer assistir às peças anteriores, peças que não vi porque não ia ao teatro. Claro que nisso tudo há a enorme capacidade do Gerald Thomas de construir ambientes, de elaborar imagens, mas nada disso teria sentido se não houvesse um canal que fizesse as pessoas irem até o teatro para ver as peças dele. Esse canal, para mim, eram as imagens fotográficas das peças, que eram impressionantes. E essas fotos eram criações da Lenise Pinheiro, considerada a principal fotógrafa de teatro do Brasil. Para nossa surpresa, depois de ter ido à estreia de Somente os Uísques São Felizes e não ter assistido à peça por conta de um atraso nosso de 30 minutos por causa de problemas técnicos, ela apareceu lá novamente, no fim de semana passado, e fez fotos da nossa peça. Sei que me senti como uma criança que ganha a primeira bicicleta quando vi a Lenise chegando ao teatro no meio da montagem da luz da peça, minutos antes do começo da apresentação. Poucas pessoas conhecem o que a gente faz, e ter imagens como as de Nelson Kao e de Lenise Pinheiro como cartão de visitas é um enorme privilégio. Seguem as fotos da Lenise, que foram publicadas no Cacilda (link ao lado), blog do Uol que ela divide com o Nelson de Sá. Para os que não me conhecem, o barbudo sou eu.



Escrito por Cesar Ribeiro às 16h31
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ALGUMAS COISAS



 

Ando bem distante daqui. Falta do que dizer, de tempo, de paciência etc. Mas hoje vou dar uma breve atualizada no que anda acontecendo. Algumas coisas bem bacanas.

A temporada de Somente os Uísques São Felizes, no Satyros 2 aos sábados e domingos 18h30, está indo para a penúltima semana. Não voltaremos com a peça neste ano. Após oito meses de temporada, mais os meses de ensaio, é preciso uma folga para recarregar as baterias. Então novas temporadas só no próximo ano. Mas muito bacana todo o espaço dado pra gente lá no Satyros, com várias pessoas passando por lá para ver a gente: Cléo de Páris, Rodolfo García Vázquez, Alberto Guzik, Gabriela Mellão, Dirceu Alves Jr., Laerte Késsimos, Claudia Vasconcellos, Fabio Penna, Germano Pereira, Lenise Pinheiro, Ruy Filho, Ariel Moshe, Maurício Alcântara, Juliene Codognotto, Lucianno Maza, Priscila Nicolielo, Geraldinho, Marici Salomão, Guilherme Gorski, Diego Torraca, Alcides Nogueira e inúmeros outros. Isso fora os amigos que sempre acompanham o que fazemos. E fora que muitos viraram amigos após essa temporada.

A convite do camarada Ruy Andrade, em novembro estreio como iluminador em um projeto que não é meu. A peça é A Lua É Minha, texto do Mario Bortolotto com direção do Eduardo Frin. No começo desta semana assisti pela primeira vez ao trabalho do pessoal. Vai ficar bem bacana.

Já para as Satyrianas, fui convidado pelo Fabio Penna para dirigir um texto do Eduardo Sterzi chamado Comunismo. O elenco, além do Penna, conta com Tales Penteado, da peça Rosa de Vidro. Ainda não sei a data da apresentação. Quando souber, dou uma avisada.

Agora sobre o grupo: após um ano em que as peças tinham entre 2 e 3 atores, o grupo Garagem 21 deu uma inflada. Isso porque no próximo ano estrearemos a peça Ratos Jogam Xadrez na Escuridão, que ficará em cartaz às quintas-feiras 22h, no Satyros, em março, abril e maio. O grupo agora é formado pelos atores Ulisses Sakurai, Paulo Campos, Sergio Silva Coelho, Priscilla Maia, Rosangela Guidini, Nelson Fioque, Bira Honoratto, André Auke, Ruth Souza e Keli (ainda não sei o sobrenome). Outros ainda devem entrar, e talvez uma ótima surpresa. Fora isso, contamos com o designer Diego Bianchi, o fotógrafo Nelson Kao, a produtora Tatiana Russo e os colaboradores Kenn Yokoi e Bruno Gambarotto. Quer dizer, o negócio cresceu. Ou, como disse o André no primeiro encontro do grupo, para leitura do texto: "Não sabia que era uma peça shakespeariana". Pois é. Pois é. Mas o barato é esse mesmo, porque existe a forte ideia de em 2011 montar Nelson Rodrigues e Macbeth.


Escrito por Cesar Ribeiro às 15h45
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ESPANCANDO O PORQUINHO



 

Com a estreia de Somente os Uísques São Felizes, última peça desta temporada de oito meses no Satyros, começou a finalmente sobrar tempo para fazer outras coisas que não fosse ensaiar. Aproveitei a semana para ver vários espetáculos. Doce Outono na terça, Aguardo Notícias da Polônia na quarta e Parasita na sexta. Hoje será a vez de O Tempo que Ficou (Incompleto). Todas as peças são muito bem dirigidas e interpretadas, o que não significa que sejam bacanas porque o que comanda é o gosto pessoal.

Muitas vezes falei sobre o quanto não gosto da linguagem realista. Acho que a TV, o cinema e a rua já cumprem essa função de mostrar a “realidade” semelhante ao real. Doce Outono é uma peça realista. Três cenas curtas interpretadas cada uma por uma dupla de atores. O que mais rola de bacana na peça são os silêncios e a ótima interpretação de Fernando Soffiatti, na cena que eu achei a melhor das três: dois irmãos separados pela vida se reúnem num momento em que o pai está morrendo. Os textos são muito bons, agora uma opinião: a peça deveria acabar sem a locução. Além de tudo já estar entendido, a mudança para a crítica à mídia, da forma como foi feita, já está bem batida.

Aguardo Notícias da Polônia, do camarada João Fábio Cabral com a camarada Julia Bobrow, tem uma temática interessante: uma mulher chega do interior à cidade grande com o sonho de ser cantora, mas vai se perdendo na multidão urbana e começa a se fixar em filmes de guerra, o que a leva a se apaixonar por um soldado polonês. Um mote bacana. Confusão realidade e sonho. E a peça nada tem de realista. Agora, novamente para reforçar: questão de gosto. A proposta de direção é muito bem executada pelos atores, mas infantiliza a interpretação. Com estrutura fragmentária, o texto deu margens a atuações em que toda a estética é formulada como ilustração. Quebra um quadro, ilustração. Quebra outro, ilustração. Fora isso, há exagero de sentimentalismo associado com a objetividade na hora de “passar a mensagem”. Mensagem, sempre a mensagem.

Parasita, texto da Gabriela Mellão com direção do Lucianno Mazza, já começou bem. Encontro com os camaradas Rodolfo, Ivam Cabral, Cléo de Páris, Geraldo Mário e Nelson Kao. E ainda conheci a Gabriela Mellão e o Lucianno Maza. A peça tem tudo a ver com o estilo de teatro de que gosto. Interpretações centradas na caricatura bem executada, texto que dá margem ao público complementar a história, direção precisa. Só não entendi a opção pela trilha sonora meio jazzística, acho que a montagem pede algo mais ágil. Os dois atores estão muito bem em cena, com um trabalho fueda de partitura vocal. E o ambiente todo branco, hospitalar, em um jogo de domínio muito bem fechado. Aparentemente a relação é médico/paciente, o que vai se quebrando até mostrar que toda a estrutura não passa de um sonho de um homem à espera da morte, que fantasia relações de afeto, a juventude e outros quitutes. Quer dizer, essa é minha leitura da peça.

Agora, o que amarra todas essas peças? A solidão. Todas elas, com linguagens e propostas diferentes, discorrem sobre esse tema. A fragmentação urbana levando os indivíduos à solidão, ao sentimento de nulidade, à tentativa de afeto, ainda que momentâneo. As ideologias de certa forma morreram, as pessoas se tornam mais individualistas e imediatistas, acabaram as esperanças de coletividade. Então sobre o que falar? Sobre o eu que se perde em toda essa onda de busca de felicidade individual. Sobre o eu que se depara com o outro. Também falo muito sobre isso em minhas peças, mas fica a pergunta: será que é só sobre isso que nosso tempo pode falar?

Também acho, cada peça a seu grau, que é preciso tomar cuidado com a seriedade, com a moralização dos textos. Transmitir mensagens é algo muito difícil, normalmente acaba caindo em frases feitas ou tentativas de criação de frases de impacto. Aguardo cai muito nisso. Já Doce Outono e Parasita esbarram pouco, mas ainda há coisas do tipo “Minha solidão é estar ao seu lado”. Não que essa frase exista em alguma delas, mas há coisas desse tipo.

De modo geral, é muito bom estar saindo da toca e ver o que andam fazendo por aí. Na faculdade de cinema um dos professores falava que assistir às coisas é como acumular capital: pega a ideia e enfia no bolso, como um cofre. Acho que é isso aí. Quando a hora chega, é só espancar o porquinho.


Escrito por Cesar Ribeiro às 18h25
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