Boteco do Ribeiro - tequilas culturais & outras azambujas


SEM PALAVRAS



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h23
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CRÍTICA DE RUY FILHO NO GUIA DA SEMANA - SESSENTA MINUTOS PARA O FIM

O camarada Ruy Filho, diretor do grupo Antro Exposto (Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade) acaba de soltar no Guia da Semana (link ao lado) a sua crítica sobre a peça Sessenta Minutos Para o Fim. Duca.



 Minutos Preciosos
 
 
     

Valorize seu tempo e assista a um bom espetáculo

 

Por Ruy Filho

Muitas vezes somos condicionados a uma enfadonha rotina. E a permanência excessiva dentro de sua estrutura acaba por nos distanciar ou impedir aquilo que realmente vale a pena. Escrevo isso, pois demorei muito tempo, mais do que realmente gostaria, para assistir à peça Sessenta Minutos para o Fim, do grupo Garagem 21, dirigido por César Ribeiro. E, hoje, percebo o quanto deveria ter me esforçado mais para sentar em sua plateia.

César me chama a atenção desde sempre. Ao menos, desde que comecei a ler suas críticas e seu blog. Há uma intensa sinergia entre nossos devaneios e conclusões. A maturidade violenta com que costumeiramente aborda as questões, traduzia-o como um curioso inquieto devorador de música, cinema, política e teatro. Levado ao desejo antigo de compreender sua arte mais profundamente, chego ao teatro dois minutos atrasado, mas desta vez consegui entrar e permanecer.

Sessenta Minutos para o Fim reúne Arrabal e Beckett fortalecendo a base de uma dramaturgia consistente e provocadora como pouco se vê na atualidade. A história de dois sujeitos sequestrados por um coelho e obrigados a representar para um público inexistente, dá o tom preciso do universo dos dois dramaturgos. César, porém, vai além e codifica as exigências desse absurdo em fugas do naturalismo, por meio da construção de corpos mais próximo à caricatura dos quadrinhos. E funciona. E bem. Recortadas, as "cenas-imagens" são bem definidas, estruturadas de maneira simples a partir do jogo teatral. Cabe aos atores sustentar a precisão perigosa entre o não-naturalismo e o expressionismo. Ainda que a construção de Ulisses Sakurai seja mais eficiente do que a realizada por Paulo Campos, o espetáculo se sustenta tranquilamente na criatividade da história e na inteligência dos monólogos e, sobretudo, com a deliciosa e divertida presença do Coelho em cena, vivido por Priscilla Maia.

O que César Ribeiro oferece ao seu espectador é mais do que uma narrativa maluca exacerbada por referências e signos. Ao contrário. Na exatidão da palavra, na importância da música que ronda toda a atmosfera, o diretor-autor questiona a todos nós como podemos narrar o contemporâneo. Traz, pelo humor do tom nonsense, a empatia do ridículo e recodifica o exagero em forma de teatralidade. Tudo ali é teatro. Tudo ali é visceralmente teatralizado. E, ao fim, parece nos arrastar à culpa de igualmente nos divertirmos com tantos absurdos.

Muitos outros autores e diretores têm se utilizado do confronto com a moral burguesa, travestindo as ações em culpa. César diferencia-se pela perspicácia intelectual que faz com que a culpa seja estraçalhada em centenas de sentimentos, levando-nos a um labirinto perigoso da aceitação desprovida de parâmetros críticos. Assistimos e rimos. Entendemos os absurdos e continuamos a rir. Rimos das nossas próprias gargalhadas. E não notamos a obviedade de sermos nós os sequestrados pelo coelho, de estarmos acostumados à ausência do público e à solidão da ideia.

A plateia de César Ribeiro é específica. É preciso disposição intelectual para ir além da diversão burguesa de se estar no teatro e entender verticalmente o universo discursivo. E isso caracteriza e explicita a vocação de ser o Garagem 21 mais do que outro grupo de teatro. Há uma verdade maior nas intenções de Sessenta Minutos para o Fim: olhar nos nossos olhos e nos cobrar por sermos tão enfadonhos e patéticos. César exala a essência típica dos artistas inquietos e inconformados, dos criadores obsessivos. Isso por si só já deveria causar filas na porta do Satyros 2. E quem consegue imaginar qual deveria ser o tamanho da fila, então, quando se junta a essa figura um espetáculo curioso e arrasador?

Se sair de casa para ser mais inteligente incomoda tanto o público, então que este saia para se divertir com sua própria estupidez. Com um lugar a menos na plateia, aviso. Pois uma cadeira já é minha...


Escrito por Cesar Ribeiro às 15h19
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O PLANETA DOS MACACOS

 

Detesto todo e qualquer reality show. Por diversos motivos, mas o principal é o próprio vazio desses subprogramas que, por falta de história, apelam para a fetichização e a intriga. E não venha com aquela conversinha de análise sociológica no meu riquixá. Mas o pior de tudo é que a propaganda dessa imbelicidade destaca exatamente o que deveria nunca chamar nossa atenção por sua própria imbecilidade. Vejamos as últimas chamadas para a versão rural com subfamosos: "dado mostra parte do bumbum", "luciele bate boca...", "miro briga com...", "mira fica pelado...", "babi diz que estão usando a imagem dela" (porra babi, até você? que desespero a falta de foco não causa na cerebrina das pessoas). É com esses apelos que se quer vender o que são esses programas. Agora a pergunta: quem são os idiotas que se interessam por esse tipo de imbecilidade? Quem são os imbecis que compram essa promessa de sexualidade estampada nesses programas, babando no sofá à espera de que uma bunda apareça, uma gostosinha mostre os peitos e tal? Vive-se através dos outros, vive-se na aquisição de produtos, vive-se na expectiva de ser o macho alfa, ainda que isso venha de mulheres. É uma puta falta de existência!


Escrito por Cesar Ribeiro às 16h31
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A FESTA DO CAQUI AZUL

 

Depois de muito pensar na moralização do país, na ordem e no progresso e na moral e bons costumes, a Liga dos Anciões que Legislam em Causa Própria decidiu que os atos secretos não podem ser anulados "porque eles produziram efeitos, produziram pagamentos e as pessoas receberam de boa fé e têm direito sobre isso", afirmou o senador Sapão, primeiro secretário da mesa diretora da Casa da Mamata Permanente. Ora, não é exatamente esse o problema, que eles produziram esses efeitos? E quem são esses beneficiados que agiram de "boa fé"? Exatamente os próprios e os amigos dos próprios e os parentes dos próprios. Os caras ainda tiveram a cara de pau de afirmar no relatório que esses atos podem não ter sido publicados "por simples falha humana". Engraçado as falhas serem tão direcionadas: foram descobertos até agora 663 atos secretos de 1995 até aqui, usados em sua maioria para nomear parentes e aumentar salários.  Curiosa essa falha sobre o mesmo tema. Mas um desses atos foi anulado: ele concedia auxílio médico vitalício aos diretores gerais da Casa da Mamata Permanente. Detalhe que o beneficiado era o próprio Agaciel Maia. E o Dom Bigodone não sabe de nada. Coitadinho, tão ignorante. Avante, Brasil, o país do futuro!


Escrito por Cesar Ribeiro às 19h32
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ABOUT MR. SANTANA

 

É tragicômico ver como está sendo tratado o simples e banal fato de Joel Santana estar concedendo entrevistas em inglês. É um inglês com erros sim, uma pronúncia estranha e tal... Mas e daí? A ridicularização das pessoas em relação a ele só mostra o quanto somos ridículos ao debochar de suas falhas, justo nós, supremos seres que sabemos tudo do mundo e mesmo do nosso próprio idioma. Basta olhar para os jornais, para as notícias na internet, para vermos o quanto sabemos pouco de nossa própria língua. Quantos sabem sobre a nova reforma ortográfica? Quantos já a dominam? Quantos sabem que o correto é “ter de” em vez de “ter que”? Quantos sabem que “invés de” normalmente é utilizado equivocadamente? A arrogância é generalizada, como se fosse uma obrigação o cara falar inglês de engravatados, como Joel muito bem respondeu às críticas (sim, com crase, você sabia?). O engraçado é que quando chega qualquer semiastropop estadunidense aqui e fala um macarrônico Éu adhóra a Brassiu, o público vai à loucura. Esquecemos o principal: o cara saiu do próprio país e foi para um lugar desconhecido, em que não domina o idioma, para trabalhar — e não para um passeiozinho. No tempo em que está lá, vem aprendendo inglês, vem se virando. Quantos teriam culhão para isso? Isso sem querer mencionar que parece ser uma obrigação neste mundo americanizado saber inglês. Quantos sabem algo de filosofia, de sociologia, de política, que são coisas muito mais relevantes? Enfim, quantos sabem algo de algo? Somos meros ignorantes preguiçosos a debochar da ignorância alheia.



Escrito por Cesar Ribeiro às 15h51
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LADEIRA ABAIXO

Meus companheiros de prozac, ando atualizando pouco esta bagaça porque não quero que isto vire um muro de lamentações. O fato é que não consigo dissociar minha felicidade em relação a eventos pessoais dos absurdos que nos cercam dia após dia. O mundo só anda ladeira abaixo. É uma chuva de leis bizonhas que buscam uma moralização conservadora no pior sentido. Fora isso, que dizer sobre o que acontece no Irã, que falar sobre a caralhada de atos secretos da Casa da Mamata Permanente? E tome futebol, e tome Copa do Mundo, e tome Olimpíada, afinal o Rio de Janeiro continua lindo. E tome reality show - aliás, que porra de porra é essa tal da fazenda? Parece que o ser humano é um poço de intrigas e rabugices, sempre pronto a enfiar a pimenta na gororoba do outro para livrar o próprio prato da lavagem. De resto, saindo dessa baciada de chope com groselha, que puta iniciativa a Festa do Teatro. É torcer para que role todo ano. Fui.



Escrito por Cesar Ribeiro às 13h24
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SESSENTA MINUTOS PARA O FIM, DIGRÁTIS, NOS DIAS 20 E 21

Paulo Campos e Priscilla Maia (ao fundo) em foto de Nelson Kao

A bagaça é uma realização dos Parlapatões, da Chaim Eventos e da J.Leiva com patrocínio da CCR. Chama Festa do Teatro. Serão 30 mil ingressos de uma caralhada de peças distribuídos gratuitamente para a população. E Sessenta Minutos Para o Fim está na parada. Então se você quiser garantir a grana da cevada e assistir à peça free, corre nos pontos de distribuição. Para a apresentação de sábado (20), às 18h30, os ingressos serão distribuídos no foyer do Centro Cultural São Paulo na quinta (18) das 16h às 20h. Já para a apresentação de domingo (21), às 18h30, a distribuição rola no Teatro Municipal também na quinta, mas das 11h às 15h. Só lembrando que serão entregues apenas 2 ingressos por pessoa e que NOS DIAS 20 E 21 NÃO HAVERÁ INGRESSOS NA BILHETERIA DO TEATRO, então quem quiser assistir nesses dias tem de puxar a bagaça nesses pontos de distribuição. Para mais info sobre o evento, acesse www.festadoteatro.com.br. Bora lá?



Escrito por Cesar Ribeiro às 14h16
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