Esta notícia é fodástica. A banda Jane's Addiction confirmou via Twitter que vem ao Brasil para tocar no dia 7 de novembro no Maquinária 2009, que acontece na Chácara do Jockey (São Paulo) e tem no line-up o Faith No More. Os ingressos já tão à venda, pela bagatela de 200 a 450 mangos. O lance agora é ir economizando na grana da cevada. Brother, bora lá? Essa é imperdível!
FOTOS DE SOMENTE OS UÍSQUES SÃO FELIZES, POR NELSON KAO
O padawan Nelson Kao, um dos idealizadores do Teatro Para Alguém (link ao lado), soltou as fotos de divulgas da peça Somente os Uísques São Felizes. Abaixo tão algumas das imagens. A estreia rola no dia 5 de setembro, às 18h30, no Satyros 2, e será free. Então quem quiser garantir lugar manda email para cesarribeiroteatro@uol.com.br. Falado? Porra, e valeu novamente, camarada!
Está chegando. Depois de Sessenta Minutos Para o Fim, o grupo Garagem 21estreia a peça Somente os Uísques São Felizes, no dia 5 de setembro para temporada aos sábados e domingos 18h30 até 25 de outubro. Novamente no Satyros 2. Fechando esta nova temporada, serão ao todo oito meses de invasão ao Satyros em 2009. Duca. A estreia será free, então quem quiser assistir manda um email para cesarribeiroteatro@uol.com.br
Uísque conta a história de um homem que precisa juntar 13 bitucas de cigarro para salvar a humanidade do juízo final, mas faltando apenas uma ele se vê preso em um aposento depois que a chave foi comida por um pássaro de pelúcia com prisão de ventre. Essa narrativa surreal é um pretexto para falar sobre o homem que estourou a corda, que não aguentou a pressão e fugiu para uma realidade paralela depois de matar a família. Coisa do tipo o austríaco que manteve a filha em cativeiro, o alemão canibal e todos os atiradores estilo "made in USA". Só que sem a visão maniqueísta de filme hollywoodiano. Algo mais puxado para A Queda, que humaniza Hitler.
Como a maisena não está pronta ainda, não sei muito bem se é um drama cômico ou uma comédia dramática, mas é algo por aí. Tão lá a tragédia e o ridículo, o sonho e o pesadelo, só que tudo dentro da linguagem costumeira do grupo de trabalhar o patético. Da mesma forma que Sessenta Minutos tem o coelho de fundo, como autoridade distante, aqui rola um clima de saloon preenchendo a cena. Já que o personagem central está preso depois de matar a família, ao fundo da cena ficarão Homem-Aranha e Batman sentados em uma mesa, jogando baralho enquanto bebem uísque e fumam cigarros. Algo tipo Liga da Justiça que não está nem aí para porra nenhuma. Manja o Homem-Aranha de um programa de rádio de alguns anos atrás? Não lembro o nome da bagaça, mas o papo com o aracnídeo era sempre algo estilo: "Homem-Aranha, Homem-Aranha. O mundo será destruído em poucos minutos. Só você pode nos ajudar". "Hmmmm... não." "Mas Homem-Aranha, milhões de abelhas assassinas picarão a humanidade inteira. Os olhos cairão da face, os rostos irão estourar como pipocas no micro-ondas." "Hmmmmmmm... não." "Mas Homem-Aranha, até a sua mãe, a grande viúva negra, irá virar sopa de fubá. Coitado do Tio Patinhas, do Mickey Mouse..." "Hmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm... não."
Deu para perceber que novamente as referências estão todas mixadas, indo de Nietzsche a South Park, de Dostoievski a Liga da Justiça, passando por David Lynch, Francis Bacon, Simpsons e outros. Na trilha só rockão e eletrônica, como Nine Inch Nails, Stooges e esta música aqui, que abre a peça (põe no talo, porra! Música baixa não tem graça alguma):
Pra ter ideia, na maquiagem a gente vem trabalhando em cima da obra do Munch. E o camarada Nelson Kao, fotógrafo de mão cheia e um dos idealizadores do Teatro Para Alguém, vem trampando as fotos em cima do Munch também. Tanto que ele só liberou a primeira imagem agora.
A foto mostra o momento em que Ulisses Sakurai interpreta Deus. Um Deus estrábico cujo mandamento é encontrar as 13 bitucas para que o mundo seja salvo da sua própria ira divina. Isso num momento de leis imbecis como a antifumo. Já o camarada Diego Bianchi soltou a arte gráfica da bagaça.
O texto e a direção da bagaça são meus e no elenco estão Ulisses Sakurai, Sergio Silva Coelho e Priscilla Maia. Então marquem na agenda. Estreia 5 de setembro, entrada free. Tiver a fim, emeia. Fechado?
Não sei quanto aos seus, mas a maior parte dos meus sonhos não fazem muito sentido. Quando fazem, são rapidamente esquecidos. Quanto mais malucos, mais perduram na minha memória, me instigam a decifrar seus sinais ricos e vazios, sua suposta lógica.
Ontem essa confusão sedutora me atingiu em cheio, como eu não sentia desde que era criança. Fui conferir Sessenta Minutos Para o Fim, escrita e dirigida por Cesar Ribeiro e em cartaz no Espaço dos Satyros Dois. O "sonho" começou no próprio lugar - eu nunca havia ido a nenhum teatro da Praça Roosevelt, apenas passado por ali vez ou outra para ir a alguma loja. [Para quem não conhece e/ou não mora em São Paulo, trata-se de um endereço frequentado por malucos de toda (des)ordem, que lembra bastante a vanguarda de fin de siècle, retratada no filme Moulin Rouge: Amor em Vermelho, e um pouco também o Pátio dos Milagres de O Corcunda de Notre-Dame, de Victor Hugo].
O lugar era tão estranho quanto as pessoas que estavam ali. Acho que até a Sandy pareceria uma esquisitona só por estar lá, aliás. Você chega a um porão e aí tem que descer ainda mais para chegar ao local exato da apresentação. Deve soar hiperinocente esse detalhamento, mas pra mim foi tudo parte de uma lenta desconstrução. "Fazer uma balada aqui deve ser muito louco", comenta um dos amigos que veio comigo. "Acho que tudo isso faz parte das encenações que eles fazem, é pra dar um clima", tentei responder. Chegamos com mais de meia hora de antecedência (sem saber), mas foi o de menos. Era tudo curioso demais, o tempo não se arrastava.
Enfim, o espetáculo se inicia. Um trio caricato: serviçal, mestre e coelho gigante jogando baralho com dois bichos de pelúcia. Diálogos perturbadores, silêncios perturbadores, música deliciosamente perturbadora. Com o coelho e o relógio no palco, impossível não recordar Alice No País das Maravilhas. O figurino e o ritmo lembravam muito A Viagem de Chihiro. Uma metáfora viva sobre o autoritarismo sedativo, a pós-modernidade (termo prostituído metalinguisticamente, não?) e as próprias artes cênicas. "Os focos morreram!"; "Quando?"; "Há dez anos!". Impossível alguém de verdade não se ver nessas falas, ainda que brevemente.
É fácil dizer que teatro é legal. Mas é mais legal dizer que acho que só entendi 10% do que vi ontem no Satyros. Eu e o casal de amigos que me acompanhou levamos a peça com a gente. Discutimos os absurdos da linguagem, nos metemos a grandes entendedores de simbologia para tentar decifrar aquele roteiro. Como num sonho, talvez não fosse um mega tratado existencial, apenas minha mente pregando uma peça no meu consciente. Talvez fosse uma visão. Séria ou não, a brincadeira foi ótima.
Quando fui, a boca dele estava maquiada mais à la Coringa-Heath-Ledger
COMUNICADO DA GAMBIARRA ou AINDA SOBRE OS METRALHAS
A Gambiarra caiu na boca, e no coração, do povo. E, infelizmente, nos olhos de ganância de invejosos. Ontem, por volta das 2h da manhã, cerca de 10 viaturas da Guarda Civil Metropolitana, lideradas por dois fiscais da Subprefeitura da Sé (Tiago Augusto Inácio Gomes da Silva e Rafael – que não quis revelar o sobrenome), que não portavam identificação, cercaram as 3 entradas da festa, armados, e sem portar nenhum mandato ou coisa parecida, e bloquearam todas as portas da casa contra a vontade dos organizadores da festa. “Ninguém mais entra nem sai da casa”, disse o Rafael a um dos organizadores, impedindo inclusive a entrada do mesmo, que estava no momento na rua orientado os clientes que acabavam de chegar, e causando conflito com os clientes que já haviam pagado e queriam simplesmente ir embora.
Sem conversarem ou darem qualquer satisfação, arrancaram e confiscaram à força os banners das 3 portarias (inclusive agredindo um dos funcionários), sendo que todos os banners foram feitos dentro dos limites impostos pela própria prefeitura no Cidade Limpa.
A Gambiarra obedece ao PSIU (o nível de som que ultrapassa as pistas é muito pequeno), ao Cidade Limpa (todos os banners têm metragem muito menor do que o máximo permitido) e agora à Lei Anti-Fumo (no final de semana anterior à entrada em vigor da lei o cigarro já foi proibido na casa e foi criada uma alternativa para as pessoas entrarem e saírem da festa para fumar). Além disso, a casa, que conta com 3 pistas distintas, tem alvará de funcionamento para cada uma delas.
Ainda sem informar o motivo da “fiscalização”, os fiscais e os policiais invadiram a festa. Depois de verificarem que não havia fumantes nas pistas de dança, e exigirem que o som fosse desligado à força, fizeram o primeiro pronunciamento: “Queremos ver o alvará de funcionamento da casa”. Imediatamente, claro, foram encaminhados pela produção ao escritório onde tiveram em mãos os 3 alvarás de funcionamento.
Não satisfeitos, ordenaram o imediato desligamento do som e a retirada de todas as pessoas da festa para que fosse feita a contagem de quantos freqüentadores estavam presentes naquela noite, um por um.
Pressionados, por policiais armados, os produtores foram aos microfones das pistas para comunicar os clientes de que eles infelizmente tinham que sair.
O dj da Pista 1 ainda tentou resistir tocando algumas músicas da época da Ditadura, já com um volume bem baixo, embalado por um coro dos próprios freqüentadores, mas logo teve que ceder por ameaça policial.
Neste momento, as 1.400 pessoas presentes na festa se encaminharam para os caixas. Não bastando, e bloqueando todas as saídas, os policiais, inconseqüentemente, abriram uma das portas da festa, sem autorização e controle dos proprietários, permitindo a saída de várias pessoas ao mesmo tempo sem o pagamento da comanda, causando tumulto, gritaria e prejuízo à casa.
Terminada a contagem exigida pelo fiscal e totalizadas quase 1400 pessoas (o que estaria dentro da normalidade, caso ele considerasse o alvará das 3 casas utilizadas conjuntamente), os fiscais da prefeitura deram a primeira e única satisfação para os donos da festa: “ Vocês não podem juntar 3 casas diferentes numa só festa. Nós só aceitamos 1 dos seus alvarás, com capacidade para 510 pessoas. Vocês precisam de 1 alvará coletivo para as 3 casas”. Informação esta nunca notificada anteriormente pela própria Prefeitura.
Com a casa já vazia, os fiscais abandonaram o local sem efetivar uma notificação do ocorrido – ação esta que deve vir antes da multa e muito antes de uma expulsão arbitrária e ditatorial.
Com prejuízos inumeráveis, tanto para os organizadores da festa como para os clientes, tamanha irresponsabilidade, que poderia ter provocado tumulto de proporções catastróficas, acabou com uma noite de uma das festas que mais respeitam todas as leis impostas por esse governo, sempre pensando no bem da população.
Alertamos a imprensa que tal fiscalização não teve relação direta com a Lei Anti-Fumo, conforme publicado em alguns veículos. Não havia nenhuma pessoa fumando dentro da festa e os agentes em nenhum momento se identificaram como fiscais da nova lei.
Independente do acontecido, a Gambiarra continuará alegrando nossos domingos e desabando água, pra lavar o que tem que limpar.
“Nós lamentamos o fato ocorrido e pedimos a todos os amigos e freqüentadores presentes na noite de ontem que entendam nossos esforços no sentido de adequar sempre a festa às leis e ao conforto de nosso público”.
Os freqüentadores que tiveram os ingressos devolvidos poderão utilizá-los para entrar gratuitamente na festa numa próxima edição de domingo
(não válido para a Edição Especial na The Week, no dia 14 de agosto).
Qualquer manifestação no sentido de repugnar tal ato ditatorial deve ser enviada para gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br, diretamente para nosso prefeito Gilberto Kassab.
Simplesmente impossível sair no fim de semana passado. Com a porra da blitz para a porra da lei antifumo, a prefeitura resolveu mais uma vez que estava na hora de faturar uma graninha. Resultado: sabendo que os bares iam deixar os chaminezados sair para fumar do lado de fora, fez uma megablitz na Augusta e região em busca do trocado de cada dia. Antes da 1h da manhã de sábado os botecos da Augusta estavam fechados. Na Roosevelt, praticamente todos os teatros foram multados por volta das 2h30 da madruga por causa da Lei do Psiu e/ou da falta de alvará para colocar mesas nas calçadas. Quer dizer, os caras civilizam o lugar ocupando as ruas e agora, depois de tempos com todos sabendo que sempre ficam mesas nas calçadas, resolvem moralizar a bagaça pra levar um troco. Coisa de cofre baixo, manja? E multas pesadas: pelo que todos falaram, vinte mil e cacareco. E aí, como bancar um custo desse? Já no domingo não havia nenhuma mesa na calçada da Roosevelt. Quer dizer, beber só pode dentro, fumar só pode fora. Uma merda. Essa é mais uma lei filha da puta, retrógrada, autoritária, ilegítima e ilegal. Coisa de totalitário. Coisa de ditadura. Como é a lei em relação a bebida e direção. Que tal criar estabelecimentos do tipo “aqui se fuma” e “aqui não se fuma”? Que tal criar ruas exclusivamente para a boemia, em que se possa ficar na calçada sem a velhacaria e os zeladores da ordem e dos bons costumes (esse bando de filhos da puta envelhecidos corporalmente ou mentalmente) encher os pacovás? Que tal respeitar a porra da lei federal que permite os fumódromos, desde que eles não sejam linhas imaginárias? Eu não entendo por que o meu direito ao fumo é menor do que o seu direito à não fumaça. Eu não entendo por que o meu direito ao barulho é menor do que o seu direito ao silêncio. Eu não entendo por que o meu direito à embriaguez é menor do que o seu direito à sobriedade. É preciso criar espaços para os fumantes, é preciso criar espaços para a boemia, em que se possa ficar fazendo a algazarra que for até o sol raiar, é preciso criar espaço para a desordem. A ordem é burra. Cada vez mais burra. Fruto de pessoas que legislam em causa própria, em que não há consulta alguma à população, em que os mandatários simplesmente resolvem qualquer merda e fazem conchavos para aplicá-la. Basta olhar a porra do Congresso e ver quem são as múmias que estão criando as leis do país, que estão estabelecendo o julgamento do que pode e do que não pode, que estão dando um rumo para esta realidade cada vez mais moralista. E cada vez mais as pessoas se afastam desse antro de velhacarias, filhadaputices e autoritarismo que é a política. E cada vez mais o que a gente pode ou não pode fazer fica nas mãos desses escrotos. Participar da política, felizmente ou infelizmente, torna-se cada vez mais uma obrigação, para não vivermos cada vez mais num quartel voltado à porra do trabalho e à ordem e ao progresso, esse lema absurdo que estampa a bandeira. Esta bosta de texto é um desabafo, um desabafo de quem vê que deus é permitido mas o diabo tem de ser jogado debaixo do tapete, de quem saca que banem o barulho dos bares mas a algazarra dos programas dominicais é permitida. É simples: dez mil cigarros no meu pulmão fazem infinitamente menos mal do que duas semanas assistindo Faustão, BBB e outras merdas do gênero. Mas vivemos num mundo em que tudo é dinheiro, em que o que fala mais alto é o poder da verba. Agora é o seguinte: quem não concorda com o que tou dizendo, foda-se! Não quero ouvir a milésima explicação idiota sobre por que tá certa a lei e blablablá. Não respeito essa opinião! Se não gostou, o que tá fazendo aqui? Vá ler outra porra de blog. Tou de saco cheio de falsos moralistas apitando na minha orelha e apontando certos e errados. Falado?
Feet more delicate than yours slant out from the duvet. On the carpet a skirt catches its breath; that scent you avoid pretends it’s déjà vu.
My hands, I trust, are not someone else’s.
*a dica veio do blog da Virna Teixeira (link ao lado), responsável por uma seleção e tradução de poemas do escocês Richard Price reunidos no livro Cartas de Ontem, publicado há alguns meses pela editora Lumme
Vocês estão sempre por aqui. Ficam na surdina, escondidos atrás das paredes. Quando o dia amanhece eu vejo as sombras nos olhos mágicos, afinal ninguém gosta de sangue saindo da porta e manchando o hall. Ninguém quer call 911. Mas não se preocupem. As minhas tristezas são tão fabricadas quanto minhas verdades. Como as de qualquer um. O que faço são só tentativas de dar forma a elas, transformar em estética. O efeito do texto. A musicalidade. Não precisam cheirar pra saber se o defunto tá fedendo. Meus camaradas, a conta do gás não está paga. O apê fica no quinto andar. Na cozinha não tem nenhuma faca afiada. Fora isso, a casa está arrumada, os copos estão limpos no armário, a gaveta de frutas está cheia. Tenho até um desses desodorizadores com cheiro de flores. Eu me sinto meio jardim às vezes, mas nada que um engov não resolva. Tou até pensando em fazer um curso de culinária. Ou dar um churrasco num domingo à tarde. Reunir os amigos, tomar umas cervejinhas e ouvir Rauuuul. Mônica, sabe aquele dentista que você falou que era bacana? Já marquei a consulta. O cara só tinha horário em 2013. Mas tá marcada. Brother, se tiver por aí, também quero dizer que fui naquele médico pra tratar a unha encravada do dedão esquerdo. Aquilo me incomodava há um puta tempo. Porra, nem dava pra bater bola direito. O mais legal é que passei na casa dos meus pais e juntei as fotografias de infância. Tem uma fodaça. Eu na escolinha vestido de Papai Noel. Acho que na próxima semana coloco no Orkut. Ou na outra. Bobear, ainda hoje passo no shopping pra comprar umas roupas novas. Meu armário tá um desastre. Só traça e cueca esgarçada. Aí quem sabe pego o telefone, ligo pra você e a gente combina aquele encontro. Se der tempo.
Vi Efeito Urtigão na semana passada. É a primeira peça do Bortolotto que assisto, apesar de acompanhar o blog e gostar do que ele escreve. As pessoas me conhecem, sabem das minhas limitações e preconceitos. Falavam que eu ia achar uma merda porque é um teatro realista, o texto é o foco. É verdade, não é teatro pra mim. Mas depois de ver fiquei com algumas perguntas na cabeça: por que as pessoas gostam daquilo como teatro se é praticamente uma reprodução da realidade? Por que se encantam com o simples fato de haver um belo texto se não há “teatralidade”? Por que não ler a bagaça em vez de ver? Mas acho que o ponto é exatamente esse. O realismo de Efeito Urtigão não é realismo. Não tem a formulazinha interpretação, luz, som, blablablá. Não tem firula nem cheerleader num Maracanã lotado. É nu e cru, direto ao ponto. Não vai ter Shell de melhor ator. Não vai ganhar o Caralhonus de superdireção. Nem é pra isso. Mas a coisa tá lá na sua cara. O dedo na ferida. Sem inventar na luz. Sem viajar na música. Sem arrebentar na atuação. Quer dizer, sem pôr peruca no sagui, manja? Cada pedaço do texto dava uma porrada na minha cara. A peça ridiculariza tudo em que acredito como teatro. O exagero, a caricatura, o olé. Porra, até coelho tem na minha peça. O que pega, o que faz você tomar o soco no estômago e querer levantar pra levar um direto no queixo, é que é foda ser honesto consigo mesmo. É difícil pra caralho. E mais difícil ainda é ser honesto consigo mesmo e encontrar uma forma de dizer isso. Tá aí onde o Mário arrebenta. Eu ainda tou tateando. Escrevo e acho que falta verdade, que não consigo dizer o que quero, expor a naftalina presa na garganta. Medo de soar piegas, de colocar o cu na reta e levar chibatada. As palavras certas tão por aí, mas a bazuca tem mira errada. Desvia do alvo pra atingir o inocente. Se bem que não há inocência alguma. Só que é foda colocar o espelho diante da fuça. Mas tou tentando. Uma hora chego lá, sem chamegos e vatapás.
Acabo de ver no blog da belíssima Cléo de Páris uma puta frase que ela postou como resposta a um comentário e que acho ser uma definição fudidaça de arte: "Uma multidão não vale mais do que dois olhos atentos". E ponto.
É duca ter amigos fudidaços. Acabo de ver a primeira prova da parte da frente do flyer de Somente os Uísques São Felizes, que estreia em setembro no Satyros 2. A criação é mais uma vez do camarada Diego Bianchi, da Three Fucking Minds (3FM). Só uma palavra para descrever: genial. Não acham?
Há muito tempo desconfio que sou um merda. Desses que não merecem choro nem vela, que não terão caixão de penacho nem cafezinho no defuntamento. Somente um ponto insignificante no universo. Eu queria tanto acreditar em deus, ser como essas pessoas que dizem e recebem zilhões de eu te amo na parafernália eletrônica, que se contentam com elogios mesmo quando falsos. Eu queria abrir os olhos e sorrir, olhar para o sol e falar “bom dia, passarinho”, contar as estrela na madrugada, sentar à mesa com a família e conversar amenidades com gosto de Doriana. Eu queria ir para as baladas, paquerar as gostosonas e acordar no dia seguinte sem essa porra de vazio, sem perguntar “o que você faz aqui?” Eu queria olhar as coisas e não pensar que é tudo tão triste, queria uma embriaguez eterna, dessas para Garrincha nenhum botar defeito. Justo eu, que nunca consigo me embriagar, que não tenho ressacas, nem mesmo uma mísera dor de cabeça. Que antes de perder a porra da consciência em álcool ou drogas tem pane no fígado. Então ando de moto esperando o acidente. Saio de madrugada querendo o tiro. Fecho a conta do plano de saúde e deixo o corpo destruir. Que se foda a medicina. Que se fodam todos os médicos que insistem em consertar o que não tem conserto. Tudo para não receber o choro dos suicidas. Minha incompetência não pertence a ninguém. Ao lado as pessoas sorriem, comemoram seus projetos, sua ascensão profissional, o filho que nascerá, a nova casa, a próxima estreia. Caralho, onde fica essa escola? Onde tem essas aulas sobre felicidade? Dizem que a única coisa que não melhora com a prática é roleta-russa. A coisa não parece tão simples assim.
Nosso amor que eu não esqueço E que teve o seu começo numa festa de São João Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete Sem luar, sem violão Perto de você me calo Tudo penso e nada falo, tenho medo de chorar Nunca mais quero o seu beijo Mas meu último desejo você não pode negar Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga Se você me quer ou não Diga que você me adora, que você lamenta e chora A nossa separação Às pessoas que eu detesto Diga sempre que eu não presto, que meu lar é o botequim E que eu arruinei sua vida Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim
Acho estranho compartilhar tristezas a céu aberto. Toda noite merece um guarda-chuva, o anúncio da tempestade. Durante o dia é muito sol ou chuva, mas a claridade óbvia cega. A visibilidade é feia. A madrugada abre a fossa, a garrafa, a solidão. As sombras que mostram que tudo é outro. Que nada está em seu devido lugar porque não há lugar para as coisas. Não há lugar para as gentes. Uma infinidade de estranhezas, de falsas delicadezas, de elogios fúteis, de esperanças vãs. O que será que sonha na gente quando os olhos se abrem e veem um dia atrás do outro?
Então é isto, meus camaradas de manguaça. Saiu na Veja desta semana a crítica de Dirceu Alves Jr. para a peça Sessenta Minutos Para o Fim. O Dirceu foi muito generoso com nosso trampo, mas ainda acho que faltou uma estrela. Com isso, a peça fica entre as melhores da semana na Veja e entre as preferidas da Bravo, além de ter recebido uma belíssima crítica do Ruy Filho no Guia da Semana. Muito bacana. E neste domingo uma porrada de camarada vai aparecer por lá. E você, ainda não foi? Demorou.
E daqui a pouco vou pra casa do Nelson Kao pra primeira sessão de fotos de divulgas de Somente os Uísques São Felizes, que estreia em setembro. O Nelson vem fazendo um puta trampo com a gente, tanto na fotografia quanto no DVD. Fotografou e filmou Queen e Sessenta Minutos. E vai fazer a mesma bagaça com o Uísque. Valeu, camarada. Muito bom contar contigo.