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TRAMPOPACARAIO

Entonces é o seguinte, meu povo e minha póva: na segunda-feira 2 de novembro, às 15 horas, estaremos na tenda do Dramamix (dentro das Satyrianas) com a peça Comunismo, de Eduardo Sterzi. Eu dirijo a bagaça e no elenco estão Fabio Penna e Tales Penteado. Mas antes disso, no domingo 1 de novembro, às 21 horas, também estaremos na tenda do Dramamix. Desta vez com o texto Os Cachorros da Praça Roosevelt Só Podem Estar Surdos, do Germano Pereira. No elenco estão Paulo Campos e Ulisses Sakurai. A primeira será uma encenação mesmo, mas esta última deve ser uma leitura dramática. E no dia 4 de novembro estreia a peça A Lua É Minha, texto do Mário Bortolotto com direção do Eduardo Frin. No elenco estão Ruy Andrade, Fernanda Fazzi e Luisa Valente. Eu faço a luz da bagaça. Já neste fim de semana, 24 e 25 de outubro, às 18h30, ocorrem as duas últimas apresentações de Somente os Uísques São Felizes, no Satyros 2. E no dia 3 de novembro começamos os ensaios para nosso próximo projeto, Ratos Jogam Xadrez na Escuridão, que ficará em cartaz às quintas-feiras 22h de março a maio, também no Satyros 2. Quer dizer, trampopacaraio. A foto é da Lenise Pinheiro para os Uísques.
Escrito por Cesar Ribeiro às 16h45
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LENISE PINHEIRO
Sempre detestei teatro. Era daqueles que, obrigados pela escola a ver as peças, só conseguiam pensar "quem esses marmanjos pensam que enganam?" Achava tudo uma imensa merda. Quer dizer, ver teatro infantil me vez fugir do teatro como vampiro foge da cruz, do alho e da beterraba azul. O tempo foi passando e, já adolescente e pós-adolescente, andava com um pessoal punk. Punks classe média, apolitizados... nada de movimento anárquico. Até chegar uma hora em que enchi o saco. Minha irmã, Kátia, fazia teatro amador no Club Homs e sempre falava que o pessoal era bacana. Fora isso, sabia que havia muitas menininhas e que as menininhas eram, digamos, liberais. Claro que entrei para o grupo. E gostei da brincadeira, tanto que depois fui fazer escola profissionalizante de interpretação, no Indac. No meu teste para entrar no Indac chamei uma camarada da zueira para fazer cena comigo. Tirésias e algum outro personagem que não lembro (era preciso fazer uma cena de teatro clássico e uma de teatro moderno). Meu figurino era coturno militar, camisa branca pichada com nomes de bandas punk e calça jeans rasgada. O traje básico do "movimento". Acabei passando no teste. Essa época em que comecei a fazer teatro foi a mesma época em que comecei a ver teatro. E aí a coisa mudou de figura, porque tive a puta sorte de os caras estarem fazendo coisas fodas na época. Assisti em curto espaço de tempo Dionysus, do Tadashi Suzuki, Trilogia Antiga, do Andrei Serban, Suz O Suz, do Fura Dels Baus, Paraíso Zona Norte, do Antunes Filho, e The Flash and the Crash Days, do Gerald Thomas. Também vi em vídeo muitas obras do Kantor e da Pina Bausch. Tudo era duca. Mas uma coisa chamava muito a atenção: as fotos dos espetáculos do Gerald — acho o trabalho de direção de ator do Antunes uma violência de boa, e a estética de Gerald é fudidaça. Tudo que via de imagem dele me fazia querer assistir às peças anteriores, peças que não vi porque não ia ao teatro. Claro que nisso tudo há a enorme capacidade do Gerald Thomas de construir ambientes, de elaborar imagens, mas nada disso teria sentido se não houvesse um canal que fizesse as pessoas irem até o teatro para ver as peças dele. Esse canal, para mim, eram as imagens fotográficas das peças, que eram impressionantes. E essas fotos eram criações da Lenise Pinheiro, considerada a principal fotógrafa de teatro do Brasil. Para nossa surpresa, depois de ter ido à estreia de Somente os Uísques São Felizes e não ter assistido à peça por conta de um atraso nosso de 30 minutos por causa de problemas técnicos, ela apareceu lá novamente, no fim de semana passado, e fez fotos da nossa peça. Sei que me senti como uma criança que ganha a primeira bicicleta quando vi a Lenise chegando ao teatro no meio da montagem da luz da peça, minutos antes do começo da apresentação. Poucas pessoas conhecem o que a gente faz, e ter imagens como as de Nelson Kao e de Lenise Pinheiro como cartão de visitas é um enorme privilégio. Seguem as fotos da Lenise, que foram publicadas no Cacilda (link ao lado), blog do Uol que ela divide com o Nelson de Sá. Para os que não me conhecem, o barbudo sou eu.
          
Escrito por Cesar Ribeiro às 16h31
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ALGUMAS COISAS

Ando bem distante daqui. Falta do que dizer, de tempo, de paciência etc. Mas hoje vou dar uma breve atualizada no que anda acontecendo. Algumas coisas bem bacanas.
A temporada de Somente os Uísques São Felizes, no Satyros 2 aos sábados e domingos 18h30, está indo para a penúltima semana. Não voltaremos com a peça neste ano. Após oito meses de temporada, mais os meses de ensaio, é preciso uma folga para recarregar as baterias. Então novas temporadas só no próximo ano. Mas muito bacana todo o espaço dado pra gente lá no Satyros, com várias pessoas passando por lá para ver a gente: Cléo de Páris, Rodolfo García Vázquez, Alberto Guzik, Gabriela Mellão, Dirceu Alves Jr., Laerte Késsimos, Claudia Vasconcellos, Fabio Penna, Germano Pereira, Lenise Pinheiro, Ruy Filho, Ariel Moshe, Maurício Alcântara, Juliene Codognotto, Lucianno Maza, Priscila Nicolielo, Geraldinho, Marici Salomão, Guilherme Gorski, Diego Torraca, Alcides Nogueira e inúmeros outros. Isso fora os amigos que sempre acompanham o que fazemos. E fora que muitos viraram amigos após essa temporada.
A convite do camarada Ruy Andrade, em novembro estreio como iluminador em um projeto que não é meu. A peça é A Lua É Minha, texto do Mario Bortolotto com direção do Eduardo Frin. No começo desta semana assisti pela primeira vez ao trabalho do pessoal. Vai ficar bem bacana.
Já para as Satyrianas, fui convidado pelo Fabio Penna para dirigir um texto do Eduardo Sterzi chamado Comunismo. O elenco, além do Penna, conta com Tales Penteado, da peça Rosa de Vidro. Ainda não sei a data da apresentação. Quando souber, dou uma avisada.
Agora sobre o grupo: após um ano em que as peças tinham entre 2 e 3 atores, o grupo Garagem 21 deu uma inflada. Isso porque no próximo ano estrearemos a peça Ratos Jogam Xadrez na Escuridão, que ficará em cartaz às quintas-feiras 22h, no Satyros, em março, abril e maio. O grupo agora é formado pelos atores Ulisses Sakurai, Paulo Campos, Sergio Silva Coelho, Priscilla Maia, Rosangela Guidini, Nelson Fioque, Bira Honoratto, André Auke, Ruth Souza e Keli (ainda não sei o sobrenome). Outros ainda devem entrar, e talvez uma ótima surpresa. Fora isso, contamos com o designer Diego Bianchi, o fotógrafo Nelson Kao, a produtora Tatiana Russo e os colaboradores Kenn Yokoi e Bruno Gambarotto. Quer dizer, o negócio cresceu. Ou, como disse o André no primeiro encontro do grupo, para leitura do texto: "Não sabia que era uma peça shakespeariana". Pois é. Pois é. Mas o barato é esse mesmo, porque existe a forte ideia de em 2011 montar Nelson Rodrigues e Macbeth.
Escrito por Cesar Ribeiro às 15h45
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