Boteco do Ribeiro - tequilas culturais & outras azambujas


A MELHOR MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS DE HOJE



Escrito por @Cesar_Ribeiro às 00h59
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TWO INSANE VIDEOS - via @CharlesBivona





Escrito por @Cesar_Ribeiro às 12h15
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A MELHOR MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS DE HOJE



Escrito por @Cesar_Ribeiro às 00h19
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SESSENTA MINUTOS PARA O FIM NO TEATRO PAULO EIRÓ

Além de apresentar a peça no Festival de Curitiba, o grupo teatral Garagem 21 fará uma minitemporada de Sessenta Minutos Para o Fim no Teatro Paulo Eiró, em São Paulo. A bagaça rola de 4/3 a 3/4, às sextas e aos sábados 21h e aos domingos 19h. Vai custar R$ 10, metade para estudantes, classe teatral, aposentados e professores. Mas os camaradas que também quiserem pagar R$ 5, é só deixar mensagem aqui no blog ou mandar email para mim. Abaixo segue um trechinho do texto da peça e um vídeo com os 15 minutos iniciais. 

VELHO ATOR
(com tesão) Você é tão linda. Esses teus joelhos rosas...
(imitando a mulher do presidente) Você também. Um galã de Hollywood. Cheio de estrelas no céu da boca, de luas nas nádegas, de gafanhotos nas obturações. (aos poucos, ficando excitado, Velho Ator começa a representar a sedução entre ele e a mulher do presidente de Saturno, abraçando a si mesmo, beijando a si mesmo) Um torso tão delineado. Eu nem ligaria se você me pegasse à força no meio de uma estrada escura. Nem ligaria se você me desse um beijo de língua na vulva pálida e cantasse o hino nacional enquanto bate na minha cabeça com um taco de bilhar. Bola 8. Bola 9. (Homem, vendo a cena, vira-se de costas para o público e começa a se masturbar. Velho Ator fica cada vez mais empolgado em sua representação) Um membro tão grande. Tão ereto. Maior que a muralha da China. Eu via de Saturno as noites em que você ficava excitado. As televisões transmitiam suas ereções para o planeta inteiro. Uma novela acompanhada pela população. As mais afoitas morriam de êxtase. Os homens se jogavam dos precipícios. As crianças martelavam os próprios crânios azuis...

SESSENTA MINUTOS PARA O FIM
Inspirada na obra de Fernando Arrabal e Samuel Beckett, a peça utiliza a linguagem de desenhos animados e quadrinhos para contar a história de dois atores condenados por um coelho a realizar uma apresentação teatral para um público que nunca aparece.

Direção, texto, iluminação e trilha sonora: Cesar Ribeiro
Preparação corporal: Bira Honorato

Elenco
Ulisses Sakurai (Velho Ator – às sextas)
Sergio Silva Coelho (Velho Ator – aos sábados e domingos)
Paulo Campos (Homem)
Bira Honorato (Coelho)
Keli Viacelli (Coelho)




Escrito por @Cesar_Ribeiro às 18h42
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ABECEDÁRIO DE DELEUZE - E DE INFÂNCIA

Este boteco está postando, aos poucos, todos os vídeos do Abecedário de Deleuze. A primeira parte da série está AQUI.









Escrito por @Cesar_Ribeiro às 15h23
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A MELHOR MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS DE HOJE



Escrito por @Cesar_Ribeiro às 23h28
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PROGRAMAÇÃO DA GARAGEM 21 NO FESTIVAL DE CURITIBA

O grupo teatral Garagem 21, do qual sou diretor, foi convidado para participar de duas programações especiais do Festival de Curitiba 2011. A primeira delas é o projeto Conexão Roosevelt, com curadoria de Ivam Cabral, que levará ao festival uma amostra do trabalho desenvolvido na Praça Roosevelt, reduto de teatros como Satyros e Parlapatões. Nesse projeto apresentaremos Sessenta Minutos Para o Fim, no Teatro HSBC. Já a outra é uma programação com curadoria da própria organização do festival, que acontecerá no Teatro Novelas Curitibanas. Nela faremos a estreia de Fim de Partida, peça de Samuel Beckett. Também vai rolar um workshop de interpretação. Abaixo segue a grade geral, para quem estiver por lá.

FIM DE PARTIDA
Influenciado pela linguagem de desenhos animados e games eletrônicos, o grupo paulistano Garagem 21 apresenta a peça de Samuel Beckett em que um cego em cadeira de rodas, um homem que não consegue sentar e um casal de velhos que vivem dentro de latas de lixo desenvolvem seus jogos de poder em um abrigo numa terra devastada.

Direção, iluminação e trilha sonora: Cesar Ribeiro
Texto: Samuel Beckett
Tradução: Fábio de Souza Andrade
Preparação corporal: Bira Honorato
Assistência de direção: Sergio Silva Coelho

Elenco
Paulo Campos (Ham)
Bira Honorato (Clov)
Williams Fioque (Nagg)
Keli Viacelli (Nell)

SESSENTA MINUTOS PARA O FIM
Inspirada na obra de Fernando Arrabal e Samuel Beckett, a peça utiliza a linguagem de desenhos animados e quadrinhos para contar a história de dois atores condenados por um coelho a realizar uma apresentação teatral para um público que nunca aparece.

Direção, texto, iluminação e trilha sonora: Cesar Ribeiro
Preparação corporal: Bira Honorato

Elenco
Sergio Silva Coelho (Velho Ator)
Paulo Campos (Homem)
Bira Honorato (Coelho)

WORKSHOP GARAGEM 21
Oficina de interpretação centrada nas técnicas utilizadas pela companhia em suas encenações, como congelamento, gromelô, vetores, Suzuki, Power Koshi e View Points. Abrange trabalhos corporal, vocal e de criação de personagens. Para se increver é necessário ter bom preparo físico e decorado ao menos 5 linhas de texto.  

6 de abril
24h - Sessenta Minutos Para o Fim

7 de abril
10h - Workshop Garagem 21
14h - Fim de Partida
21h - Sessenta Minutos Para o Fim

8 de abril
14h - Fim de Partida
19h - Fim de Partida
23h - Fim de Partida

Links das peças no site do Festival de Curitiba

Sessenta Minutos Para o Fim: http://www.festivaldecuritiba.com.br/espetaculos/view/583 

Fim de Partida: http://www.festivaldecuritiba.com.br/espetaculos/view/597

Link das peças no site Ingresso Rápido

Sessenta Minutos Para o Fim: http://www.ingressorapido.com.br/Evento.aspx?ID=13981
Fim de Partida: http://www.ingressorapido.com.br/Evento.aspx?ID=14107



Escrito por @Cesar_Ribeiro às 21h42
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A MELHOR MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS DE HOJE



Escrito por @Cesar_Ribeiro às 12h41
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SLAVOJ ZIZEK NA GLOBONEWS - PARTE 2



Escrito por @Cesar_Ribeiro às 14h26
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A MELHOR MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS DE HOJE



Escrito por @Cesar_Ribeiro às 22h24
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SUSUMU HIRASAWA - Sim City 2

SUSUMU HIRASAWA nasceu em Tóquio em 1954. A base de trabalho dele é a música eletrônica, em que mistura instrumentos comuns e alta tecnologia para fazer um tipo de som "eletrônico-sinfônico-apocalíptico" influenciado pelo contato com a Tailândia e o ideal de yin-yang. O vídeo abaixo é de uma apresentação ao vivo de Sim City 2, do álbum Solar Ray, gravado em um estúdio que utiliza energia solar – mesmo sistema usado em sua turnê do álbum, como podem ver no vídeo. Hirasawa também é associado a diversas trilhas sonoras, como das animações MILLENNIUM ACTRESS e PAPRIKA (ambos de Satoshi Kon) e do anime BERSERK, adaptado do mangá homônimo de KENTARO MIURA.  




Escrito por @Cesar_Ribeiro às 17h33
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DISCURSOS DE MUBARAK E OBAMA



 



Escrito por @Cesar_Ribeiro às 22h35
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A MELHOR MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS DE HOJE



Escrito por @Cesar_Ribeiro às 16h35
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O ABECEDÁRIO DE DELEUZE - D DE DESEJO

Neste vídeo de O Abecedário de Deleuze, ele fala sobre o conceito de desejo. Basicamente, parte das ideias que envolvem o livro O Anti-Édipo - Capitalismo e Esquizofrenia. Em seu rompimento com os princípios psicanalíticos, Deleuze situa o inconsciente como múltiplo, o delírio como delírio-mundo (colocando, em oposição ao núcleo familiar da psicanálise freudiana, a fonte como sendo a relação com o mundo) e o inconsciente como uma fábrica (sempre em produção) em vez de teatro (em conflito ligado a questões edipianas ou hamletianas). Este boteco está postando, aos poucos, todos os vídeos do abecedário. A primeira parte da série está AQUI.







Escrito por @Cesar_Ribeiro às 16h06
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RAP NEWS 6 - WIKILEAKS' CABLEGATE: THE TRUTH IS OUT THERE

THE JUICEMEDIA RAP NEWS é uma série de raps criada por Hugo Farrant e Giordano Nanni que parodia o mundo contemporâneo a partir de política, relações internacionais, presença da publicidade e da mídia na fabricação da realidade e afins. Apresentada pelo "repórter" Robert Foster, (Farrant, que interpreta também todos os outros personagens), a série têm alguns episódios centrados no WIKILEAKS, organização de mídia sem fins lucrativos fundada por Julian Assange e que tem como objetivo levar a público documentos vazados a partir de fontes anônimas – ou que deveriam permanecer anônimas. No vídeo abaixo está o episódio 6, que trata do Cablegate, como ficou conhecido o vazamento de documentos trocados entre os Estados Unidos e outros países. 




Escrito por @Cesar_Ribeiro às 13h48
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JORNALISTA E BLOGUEIRO EGÍPCIO FALA SOBRE REBELIÃO - via Carta Maior

Jornalista e blogueiro egípcio fala sobre rebelião

Hossam el-Hamalawy é um jornalista e blogueiro do site 3arabawy. Mark LeVine, professor da Universidade da Califórnia, conseguiu contactar Hossam por meio do Skype e conseguiu um informe em primeiro mão sobre os eventos que estão ocorrendo no Egito. Hossam destaca o papel que a juventude e o movimento sindical estão desempenhando nos protestos contra a ditadura egípcia e prevê momentos difíceis nas relações com os EUA. "Qualquer governo realmente limpo que chegue ao poder na região, entrará em um conflito aberto com os EUA, porque proporá uma redistribuição racional da riqueza e terminará com o apoio a Israel e a outras ditaduras".

Por que foi necessária uma revolução na Tunísia para tirar os egípcios das ruas em uma quantidade sem precedentes?

No Egito dizemos que a Tunísia foi mais um catalisador que um instigador, porque as condições objetivas para um levantamento existiam no país e durante os últimos anos a revolta estava no ar. Já tivemos duas mini-intifadas, ou “mini-Tunísia” em 2008. A primeira foi um levantamento em abril de 2008 em Mahalla, seguido por outro em Borollos, no norte do país.

As revoluções não surgem do nada. Não temos mecanicamente uma amanhã no Egito porque ontem ocorreu uma na Tunísia. Não é possível isolar esses protestos dos quatro últimos anos de greves de trabalhadores no Egito ou de eventos internacionais como a intifada al-Aqsa e a invasão do Iraque pelos EUA. A eclosão da intifada al-Aqsa foi especialmente importante porque nos anos 80 e 90 o ativismo nas ruas havia sido efetivamente impedido pelo governo como parte da luta contra insurgentes islâmicos. Só seguiu existindo nos campus universitários ou nas centrais dos partidos. Mas quando estourou a intifada em 2000 e a Al Jazeera começou a transmitir suas imagens, isso inspirou a nossa juventude a tomar as ruas, da mesma maneira que hoje a Tunísia nos inspira.

Como se desenvolvem os protestos?

É muito cedo para dizer como se desenvolveram. É um milagre que continuaram ontem depois da meia noite, apesar do medo e da repressão. A situação chegou a um ponto em que todos estão fartos, seriamente fartos. E mesmo que as forças de segurança consigam aplastar os protestos hoje não poderão aplastar os que ocorrerão na próxima semana, no próximo mês ou, mais adiante, durante este ano. Definitivamente há uma mudança no grau de coragem do povo. O Estado usou a desculpa do combate ao terrorismo nos anos 90 para acabar com todo tipo de dissenso no país, um truque utilizado por todos os governos, incluindo os EUA. Mas uma vez que a oposição formal a um regime passa das armas a protestos massivos, é muito difícil enfrentar esse tipo de dissenso. Pode-se planejar a liquidação de um grupo de terroristas que combate nos canaviais. Mas o que vão fazer diante de milhares de manifestantes nas ruas? Não podem matar a todos. Nem sequer podem garantir que os soldados o façam, que disparem contra os pobres.

Qual a relação entre eventos regionais e locais neste país?

É preciso entender que o regional é local no Egito. No ano de 2000, os protestos não começaram como protestos contra o regime, mas sim contra Israel e em apoio aos palestinos. O mesmo ocorreu com a invasão dos EUA no Iraque três anos depois. Mas uma vez que se sai para as ruas e se enfrenta a violência do regime, a pessoa começa a se fazer perguntas: por que Mubarak envia soldados para enfrentar os manifestantes ao invés de enfrentar Israel? Por que exporta cimento para Israel, que o utiliza na construção de assentamentos, ao invés de ajudar os palestinos. Por que a política é tão brutal conosco quando só tratamos de expressar nossa solidariedade com os palestinos de maneira pacífica? E assim os problemas regionais como Israel e Iraque passaram a ser temas locais. E, em poucos instantes, os manifestantes que cantavam slogans em favor dos palestinos começaram ma fazê-lo contra Mubarak. O momento decisivo em termos de protestos foi em 2004, quando o dissenso se tornou interior.

Na Tunísia, os sindicatos desempenharam um papel crucial na revolução, já que sua ampla e disciplinada organização assegurou que os protestos não fossem sufocados facilmente. Qual o papel do movimento dos trabalhadores do Egito no atual levantamento?

O movimento sindical egípcio foi bastante atacado nos anos oitenta e noventa pela polícia, que utilizou munição de guerra contra grevistas pacíficos em 1989 durante greves nas plantas siderúrgicas e, em 1994, nas greves das fábricas têxteis. Mas, desde dezembro de 2006, nosso país vive continuamente as maiores e mais sustentadas ondas de ações grevistas desde 1946, detonadas por greves na indústria têxtil na cidade de Mahalla, no delta do Nilo, centro da maior força laboral do Oriente Médio, com mais de 28 mil trabalhadores. Começou por temas trabalhistas, mas se estendeu a todos os setores da sociedade com exceção da polícia e das forças armadas.

Como resultado dessas greves, conseguimos obter dois sindicatos independentes, os primeiros de sua classe desde 1957, o dos cobradores de contribuições de bens imóveis, que inclui mais de 40 mil funcionários públicos e o dos técnicos de saúde, mais de 30 mil dos quais lançaram mês passado um sindicato independente daqueles controladas pelo Estado.

Mas é verdade que há uma diferença importante entre nós e a Tunísia. Ainda que fosse uma ditadura, a Tunísia tinha uma federação sindical semi-independente. Mesmo que sua direção colaborasse com o regime, os seus membros eram sindicalistas militantes. De modo que, quando chegou a hora das greves gerais, os sindicatos puderam se somar. Mas aqui no Egito tempos um vazio que pretendemos preencher rapidamente. Os sindicalistas independentes foram alvo de uma caça ás bruxas desde que trataram de se estabelecer; já há processos iniciados contra eles pelos sindicatos estatais e respaldados pelo Estado, mas eles seguem se fortalecendo apesar das continuadas tentativas de silenciá-los.

É certo que, nos últimos dias, a repressão foi dirigida contra os manifestantes nas ruas, que não são necessariamente sindicalistas. Esses protestos reuniram um amplo espectro de egípcios, incluindo filhos e filhas da elite. De modo que temos uma combinação de pobres e jovens das cidades junto com a classe média e os filhos filhas da elite. Penso que Mubarak conseguiu agrupar todos os setores da sociedade com exceção de seu círculo íntimo de cúmplices.

A revolução tunisiana foi descrita como fortemente liderada pela juventude e dependente para seu êxito da tecnologia das redes sociais como Facebook e Twitter. E agora as pessoas se concentram em torno da juventude no Egito como um catalisador importante. Trata-se de uma “intifada juvenil” e ele poderia ocorrer sem o Facebook e outras novas tecnologias midiáticas?

Sim, é uma intifada juvenil na rua. A internet desempenha um papel na difusão da palavra e das imagens do que ocorre no terreno. Não utilizamos a internet para nos organizar. A utilizamos para divulgar o que estamos fazendo nas ruas com a esperança de que outros participem da ação.

Como deve ter ouvido, nos EUA, o apresentador de programas de entrevistas Glenn Beck atacou uma acadêmica, Frances Fox Piven, por um artigo que ela escreveu chamando os desempregados a realizar protestos massivos por postos de trabalho. Ela recebeu inclusive ameaças de morte, algumas de pessoas sem trabalho que parecem mais felizes fantasiando sobre usar uma de suas numerosas armas do que lutando realmente por seus direitos. É surpreendente pensar no papel crucial dos sindicatos no mundo árabe atual, tendo em conta as mais de duas décadas de regimes neoliberais em toda a região, cujo objetivo primordial é destruir a solidariedade da classe trabalhadora. Por que os sindicatos seguiram sendo tão importantes?

Os sindicatos sempre são o remédio mágico contra qualquer ditadura. Olhe a Polônia, a Coréia do Sul, a América Latina ou a Tunísia. Os sindicatos sempre foram úteis para a mobilização das massas. Faz falta uma greve geral para derrotar uma ditadura, e hoje não há nada melhor que um sindicato independente para fazê-lo.

Há um programa ideológico mais amplo por trás dos protestos, ou o objetivo é mesmo livrar-se de Mubarak?

Cada um tem suas razões para sair às ruas, mas eu suponho que se nosso levante tiver êxito e derrubarmos Mubarak aparecerão divisões. Os pobres querem impulsionar a revolução para uma posição muito mais radical, impulsionar a redistribuição radical da riqueza e combater a corrupção, enquanto que os chamados reformistas querem colocar freios, pressionar mais ou menos por mudanças “desde cima” e limitar um pouco os poderes, mas mantendo alguma essência do Estado atual.

Qual é o papel da Irmandade Muçulmana e como influencia o cenário atual o fato de ter permanecido até aqui distante dos atuais protestos?

A Irmandade sofreu divisões desde a eclosão da intifada al-Aqsa. Sua participação no Movimento de Solidariedade à Palestina quando se enfrentou com o regime foi desastrosa. Basicamente, cada vez que seus dirigentes chegam a um compromisso com o regime, especialmente os acólitos do atual guia supremo, desmoralizam seus quadros da base. Conheço pessoalmente vários jovens que abandonaram o grupo. Alguns deles se uniram a outros grupos, outros seguem independentes. A medida que cresce o atual movimento de rua e os militantes da base participam, haverá mais divisões porque a direção superior não pode justificar por que não toma parte desse novo levante.

[N.T. Nesta segunda-feira (31), a Irmandade Muçulmana divulgou um comunicado rejeitando o novo governo e pedindo que prossigam as manifestações para a queda do regime do presidente Hosni Mubarak]

Qual o papel dos EUA neste conflito? Como as pessoas na rua avaliam suas posições?

Mubarak é o segundo maior beneficiário da ajuda externa dos EUA, depois de Israel. Ele é conhecido como o capanga dos EUA na região; é um dos instrumentos da política externa dos EUA, que implementa seu programa de segurança para Israel e assegura o fluxo sem problemas do petróleo enquanto mantem os palestinos confinados. De modo que não é nenhum segredo que esta ditadura goza do respaldo de governos dos EUA desde o primeiro dia, inclusive durante a enganosa retórica em favor da democracia protagonizada por Bush. Por isso, não há surpresa diante das risíveis declarações de Clinton, que mais ou menos defendiam o regime de Mubarak, já que um dos pilares da política externa dos EUA é manter regimes estáveis a custa da liberdade e dos direitos civis.

Não esperamos nada de Obama, a quem com sideramos um grande hipócrita. Mas esperamos que o povo estadunidense – sindicatos, associações de professores, uniões estudantis, grupos de ativistas – se pronunciem em nosso apoio. O que queremos é que o governo dos EUA se mantenha completamente fora do assunto. Não queremos nenhum tipo de apoio, simplesmente que corte imediatamente a ajuda a Mubarak e retire o apoio a ele, e também que se retire de todas as bases do Oriente Médio e deixe de apoiar o Estado de Israel.

Em última instância fará tudo o que for preciso para se proteger. De repente, pode adotar a retórica mais anti-americana que se possa imaginar se isso puder ajudar a salvar sua pele. No final das contas, está comprometido com seus próprios interesses e se avaliar que perderá o apoio dos EUA, se voltará em outra direção. A realidade é que, qualquer governo realmente limpo que chegue ao poder na região, entrará em um conflito aberto com os EUA, porque proporá uma redistribuição racional da riqueza e terminará com o apoio a Israel e a outras ditaduras. De modo que não esperamos nenhuma ajuda dos EUA. Só que nos deixem em paz.

(*) Mark LeVine é professor de história na universidade da Califórnia Irvine e pesquisador visitante sênior no Centro de Estudos do Oriente Médio na Universidade Lund, na Suécia. Seus livros mais recentes são Heavy Metal Islam (Random House) e Impossible Peace: Israel/Palestine Since 1989 (Zed Books). 

Fonte:http://english.aljazeera.net/indepth/features/2011/01/201112792728200271.html

Traduzido do inglês para o Rebelión por Germán Leyens


(*) Traduzido do espanhol para a Carta Maior por Marco Aurélio Weissheimer


Escrito por @Cesar_Ribeiro às 01h00
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